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Ambiente

Luanda: campanha de recolha de lixo arranca com 2000 pessoas e uma centena de camiões

O Governo da Província de Luanda colocou esta quarta-feira em prática, no município de Viana, o novo modelo de recolha de lixo, com uma mega campanha que envolveu mais de 2000 pessoas e cerca de 100 camiões.

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A estratégia do Governo Provincial de Luanda visa combater os actuais focos de lixo que se verificam em toda a província, após falhado o modelo de recolha de resíduos sólidos, em vigor desde Agosto passado, devido à falta de verbas para as empresas.

Em declarações à imprensa, o administrador de Viana, Manuel Caterça, disse que o trabalho vem responder à “situação crítica” vivida no município, lembrando que não é uma solução definitiva do problema.

"Cada administração municipal, em função dos seus meios técnicos, que lhes estão cabidos, deve fazer o seu trabalho. Viana é o primeiro exemplo desta solidariedade que estamos a viver a nível dos municípios, por isso é que há todo o engajamento de pessoas e meios para trabalhar na redução dos passivos que ainda assistimos a nível de Luanda", referiu o responsável.

Na semana passada, o director da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (Elisal), António Rodrigues, disse que cerca de 1500 toneladas de resíduos sólidos ficam por recolher diariamente na capital angolana, devido à falta de meios.

A situação agravou-se depois da desistência de muitas operadoras contratadas para o serviço, que com os valores agora fixados não conseguiram cobrir as suas despesas operacionais e com o pessoal.

Para a limpeza de toda a província, o Ministério das Finanças disponibiliza ao GPL uma verba de cerca de 10 milhões de dólares por mês, que representa um terço do montante atribuído há cerca de quatro anos. O critério de repartição do orçamento define por cada município 20 por cento para as microempresas, 25 por cento para as empresas de pré-recolha e 55 por cento para as operadoras principais.

Para minimizar a situação, a população optou por queimar o lixo, o que tem preocupado as autoridades angolanas, nomeadamente o Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros (SNPCB).

Segundo o porta-voz do SNPCB, Faustino Sebastião, "esta acção pode impedir a visibilidade dos automobilistas, afectar cabos subterrâneos de transporte de energia eléctrica, soltar substâncias tóxicas, activar engenhos explosivos e outros artefactos que podem explodir com o fogo".

Faustino Sebastião frisou que o SNPCB está disponível para apoiar as autoridades na tarefa da recolha de resíduos sólidos, com meios humanos e materiais, bem como em acções de limpeza das ruas.