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Opinião

Sector do comércio e distribuição cresce mas produção local vai em direcção contrária

Michel Pedro

Gestor

Apesar de todos os desafios para alcançar o crescimento económico e financeiro, através do incremento da produção local e industrialização do país, os últimos anos têm-se mostrado positivos para o sector do comércio e distribuição que cresce a bom ritmo, mas por outro lado, é a indústria que está estagnada, tornando o comércio totalmente dependente da importação.

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O país conta actualmente com mais de 660.000 metros quadrados de superfícies comerciais, o que garante mais de 20.000 postos de trabalhos, segundo o que se pode ler no site da associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola (ECODIMA).

Com um valor de facturação estimado em cerca de 300 mil milhões de kwanzas, o sector do comércio e distribuição em Angola é ainda suportado pelas importações, dada a dificuldade de a produção local poder dar resposta à demanda do mercado interno, o que encarece os produtos da cesta básica.

Nos últimos 10 anos, foi possível observar aberturas de muitas superfícies comerciais pelo país, com especial destaque para Luanda. As iniciativas são louváveis, mas é ainda comum ver nas prateleiras de muitas dessas superfícies produtos importados (o que não mal de todo), o que deve despertar a atenção do Governo e criar mecanismos que permitam que a produção local atenda às necessidades do mercado interno.

A abertura de superfícies comerciais implica maior oferta de produtos aos clientes e, consequentemente, o aumento nos níveis de importação ao invés da produção nacional.

O crescimento do sector do comércio e distribuição vai permitindo também a entrada de conceitos que até pouco tempo eram desconhecidos pelos consumidores angolanos, como é o caso do Hard-Discount ou Lojas de Proximidade, conceito praticado até ao momento por um único operador.

Para 2021 e anos subsequentes, a expectativa é que o crescimento do sector mantenha o ritmo, pois o avanço da vacina contra a Covid-19 e a retomada económica a nível mundial devem favorecer os negócios.

Não adianta aqui apontar o dedo apenas ao executivo quanto ao estado da produção local, parte considerável dos operadores do sector do comércio ainda prefere importar produtos da cesta básica do que comprar localmente, especialmente aqueles operadores de matrizes estrangeiras ou que sejam filiais de empresas no exterior.

Operadores na vanguarda do crescimento

Tal como é notório o crescimento do sector, é fácil perceber quais operadores estão na vanguarda desse fenómeno (crescimento).

Segundo uma revelção do Ministério da Industria e Comércio (MINDCOM) ao jornal Expansão em Outubro de 2020, Atlas Group, Angoalissar, Nobel Group, Angorayan, Alimenta Angola, Newaco Group, Africana Discount, Dimassaba, Selmata, Anseba, Rayan Investment, Ros" Bien Comércio, AMT (Angola), Zara General Trading, Heran, são os maiores grupos empresariais estrangeiros que dominam o comércio.

Um outro operador que tem tido bastante notoriedade nos últimos meses é Mega Comércio e Distribuição que até ao momento possui uma cadeia de mais de 40 lojas de proximidade.

Estes operadores não crescem apenas, também têm que lidar com a constante queda do "peso" do kwanza face às moedas estrangeiras, alterando sempre suas estruturas de custo pois têm que importar sempre.

Uma economia dependente, maioritariamente, de produtos importados vive sérios problemas quando a sua moeda é depreciada/desvalorizada diante da moeda estrangeira de referência.

Opinião de
Michel Pedro