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Construtora portuguesa Gabriel Couto prevê retomar trabalhos em Angola

A construtora portuguesa Gabriel Couto está a rever a sua estratégia por causa da pandemia, que afectou sobretudo a área internacional, mas já tem garantias para recomeçar as obras em Angola dentro de semanas.

: António Silva/Lusa
António Silva/Lusa  

A estratégia está "com certeza a ser revista" porque "a pandemia trouxe impactos diversos", afirmou o administrador da empresa Tiago Couto em entrevista à Lusa, admitindo redução de custos, mas sem quantificar nem especificar em que áreas.

Em Portugal, logo que surgiu a pandemia a empresa adoptou medidas "para dar todas as condições" a colaboradores, empreiteiros, subempreiteiros e fornecedores para que conseguissem trabalhar e fazer as suas funções, "cumprindo com normas de higiene e sanitárias" exigidas, explicou o gestor da construtora portuguesa.

Desta forma, além de não registar até agora nenhum caso de infecção entre os seus colaboradores em Portugal, conseguiu não ter "paragens significativas" nas várias obras em curso no território nacional, acrescentou.

Já na área internacional não pode dizer o mesmo. "Essa sim, até pela logística que envolve, acabou por sofrer mais", afirmou o responsável da construtora que opera em três países africanos e em outros três na América Central.

Em África, a empresa tem operações em Angola, na Zâmbia e em Moçambique – onde está envolvida na construção de infra-estruturas para o projecto de exploração de gás natural.

No continente africano, por causa a pandemia, foi necessário "fazer regressar os expatriados e os projectos acabaram por ser suspensos. Mas esperamos recomeçá-los nas próximas semanas", afirmou Tiago Couto.

Além disso, "temos delay [adiamento de alguns prazos] e suspensões de alguns projectos, como é o caso em Moçambique", salientou.

Em Angola, as obras em curso "tinham financiamento garantido", por isso não foram abrangidas pela suspensão dos contratos sem financiamento assegurado, anunciada pelo Governo angolano em 21 de Abril, em plena pandemia, assegurou.

Segundo o gestor, a empresa já teve contactos com as autoridades angolanas e já tem "a certeza de que [os projectos] vão voltar a arrancar naturalmente" em breve.

No caso de Angola, preocupa agora "o efeito que possa trazer para a economia" a "baixa do preço do petróleo, que é motivo de preocupação para todos", disse o gestor.

No entanto, "os mercados acabam por ser irracionais e penso que da mesma forma que o preço do petróleo teve uma quebra abrupta seguramente haverá uma retoma", afirmou.

Quanto a receios relativamente a um eventual aumento da dívida corrente, o gestor afirmou que, "até agora, Angola tem honrado os seus compromissos".

Por isso, "dentro da nossa estratégia, Angola é um país de grande relevância, onde já tivemos mais trabalho do que temos hoje, mas não deixa de ser um país estratégico", sublinhou.

Mas, realçou: "temos vindo a reduzir. Esta crise não é de agora. O mercado angolano tem vindo a reduzir a sua actividade em termos de investimento e obra pública".

Quanto, aos caminhos a seguir em termos internacionais pela empresa na sua estratégia revista, Tiago Couto concluiu que não será diferente da que está a ser seguida hoje. "Eu diria que temos um terço da nossa actividade em cada uma destas operações", afirmou.

Mas "grande parte dos activos estão no norte de Moçambique", concluiu.