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Dicas práticas para a produção de hortas domésticas urbanas

Paz Paulo António

Estudante angolano do curso de Agronomia na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

São muitas as famílias que atualmente não têm possibilidade de se deslocarem paras as zonas rurais em busca de alimentos, isto é, devido a situação pandémica que o mundo está passando. Por outra lado, muitos produtores encontram dificuldades para escoarem os seus produtos para as cidades ora por falta de transporte, ora pelas péssimas condições que as estradas apresentam. Diante desta situação e do atual contexto, objetivo trazer com este texto dicas de como produzir hortas em zonas urbanas. Uma vez que recai sobre todos a necessidade de criar alternativas de modo a se desconstruir o velho ditado: "Se o campo não produz a cidade não come".

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A implementação de hortas domésticas nas zonas urbanas torna-se uma boa opção para quem têm interesse de produzir o seu próprio alimento e comer de forma saudável. Não havendo a necessidade de ter espaços grandes para produzir, uma vez que se pode aproveitar espaços vazios de corredores, varandas, sacadas e quintais e usar recipientes como pneus, garrafas pet, canos de pvc, baldes, latas, vasilhames de manteiga, canteiro de madeira suspenso, jardineira de alvenaria, tambor de latão ou de plástico como os mini canteiros para o plantio.

Esse tipo de cultivo não demanda de grandes técnicas e nem de muito conhecimento, que de acordo com Clemente e Haber (2012), basta levar em conta os seguintes factores que exercem maior influência no desenvolvimento das plantas: luminosidade, manejo do solo, adubação e irrigação.

O plantio das culturas pode ser feito usando sementes para fazer o plantio direito ou então usar as mudas para depois serem transplantadas para o solo. Mas é importante realçar que nem todas as culturas aceitam o transplante, como é o caso da cenoura, da batata, da mandioca, da salsa e do alho. Culturas como a alface, a couve, a cebola, o tomate e o pimentão podem ser transplantados para o solo.

O cultivo deve ser feito em lugares onde haja sol, ou seja, sob o abrigo do sol, no período da manhã ou da tarde, aproximadamente cinco horas, embora algumas culturas exigem mais horas de exposição solar para a realização da fotossíntese e completar o ciclo de desenvolvimento.

A preparação do solo é indispensável, devendo a terra ser bem preparada, de modo que se mantenha bem arejada. Para tal, de preferência usar terra de barranco ou solo virgem, geralmente de coloração vermelha ou amarelada e de baixa fertilidade.

É recomendável o uso de matéria orgânica para adubação das hortas, que podem ser produtos como a farinha de casca de ovos (pode ser feita em casa, moendo a casca de ovo seca), húmus de minhoca, cinza da lenha e calcário, esterco de curral ou ainda de restos de vegetais como cascas de frutas.

Quanto à irrigação, esta deve se levar em consideração a temperatura ambiente, quando o tempo estiver com temperaturas mais baixas, a quantidade de água absorvida pelas plantas é menor, deste modo, a frequência de irrigação deve ser menor. Quando as temperaturas estão mais elevadas, a absorção de água é maior, devendo-se irrigar as plantas com mais frequência.

Dicas para evitar pragas e doenças

  • As sementes e mudas devem ser compradas em lugares que garantam confiança;
  • Fazer a manutenção regular na horta, isto torna possível identificar doenças e pragas antes que se espalhem;
  • Regar pela manhã cedo, podendo o excesso de água secar ao longo do dia ou ser absorvido pelo solo. Regar apenas o solo, não as folhas, que ficam expostas a danos causados por fungos, caso fiquem molhadas;
  • Manter a diversidade, pois algumas plantas são inimigas para pragas que atacam outras espécies e vice-versa;
  • Pesticidas naturais são óptimas opções para controlar e eliminar parasitas, destacando o alecrim, o girassol, o alho e a cebola, por produzirem odores repulsivos.

No mundo inteiro, os sectores agrícolas registram baixo índice de produção, isto é, devido ao distanciamento e isolamento social. Desse jeito, os países que dependem da importação de alimentos como o caso de Angola, enfrentam dificuldades para estabilizarem os seus sectores alimentícios. No entanto, mediante a realidade do país, se faz necessária a criação de alternativas viáveis para a subsistência das famílias angolanas.

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Paz Paulo António