A opinião de...

“Homem + Livro”: um binómio para o desenvolvimento de uma nação


“Homem + Livro”: um binómio para o desenvolvimento de uma nação

Samuel Chilua

Economista e pesquisador

A chave misteriosa das desgraças que nos afligem é esta, e somente esta: A ignorância, ela é a mãe da servilidade e da miséria, afirmou o Jurisconsulto Rui Barbosa.
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Apesar das opiniões divergentes que dividem o tema sobre do impacto do aumento populacional sobre a economia, a verdade é que se este aumento for precedido com o know-how e know-why, os efeitos finais serão indubitavelmente positivos para a nação, pelo facto do aumento da população criar necessidades económicas, e esta por sua vez, forçam o aparecimento de novas ideias,  em grande número, dada a grandeza da população um aumentar da capacidade produtiva. Em consequência da grande população poderão ter maiores taxas de mudanças e progresso tecnológico.

Quanto mais de conhecimento o homem tiver, mais culto e sábio será e assim se torna mais útil para si e para a sociedade. Trabalhadores mais cultos geram maior produtividade, por essa via um acrescentar dos fluxos financeiros na organização.

Partindo da dimensão histórico-filosófica do “Homo hominis lúpos” o lobo do homem, adicionado paralelamente ao facto de que o ignorante reage com os músculos, enquanto o sábio reage com o cérebro, entretanto, aqueles que são mentalmente pobres (ausência de conhecimento) são potencialmente mais agressivos em relação aos culturalmente enriquecidos. Portanto, ser amigo de livros torna-se uma fonte potencial para reduzir índice de delinquência de um Estado.

Pensar no desenvolvimento do país, sem antes torna-lo amigo dos livros, seria uma autêntica utopia. Entretanto, vale saudar a iniciativa do Governo com implementação do plano relativo ao livro e a leitura pública visando contribuir para a Politica Nacional do Livro e da Promoção da leitura, com aprovação do Decreto presidencial nº105/11 de 24 de Maio, adicionado ao Despacho Presidencial nº123/18 de 11 de Setembro e com destaque actual da criação do fundo livreiro nacional de forma a criar um ambiente para produção e distribuição e acesso aos livros a preços módicos. Todavia, importa referir que mais do que ter legislação é preciso que tais políticas sejam monitorizadas a sua materialização efectiva, para não cairmos no mesmo cenário das políticas falidas e sem impacto nenhum na vida prática dos cidadãos.

O esforço é conjunto (Governo Vs Cidadão), permitindo que o cidadão consiga tirar o máximo proveito possível com base no que é disponível. É com muita lamúria que vemos as nossas mediatecas cheias de estudantes que as utilizam apenas como um veiculo de diversão para jogos electrónicos e/ou assuntos fúteis, completamente aquém daqueles pelo qual elas foram erguidas.

Dizia Sócrates: “O tolo quando erra queixa dos outros, o sábio queixa-se de si mesmo”. De nada adianta culparmos terceiros pela nossa ignorância, com a frase mais sonante: Os livros são muito caros. A conclusão por mais que doa e esta: Não amamos os livros. Basta olharmos no que mais trazemos aquando do regresso de uma viajem. Oseias 4:6 diz: “O meu povo foi destruído por falta de conhecimento...” conhecimento é tudo.

Desenvolvimento económico é o processo histórico de acumulação de capital incorporando conhecimento técnico que efectivamente aumenta o padrão da vida da população.

Basta o encerramento de livrarias, salvemo-las. Auguramos incisivamente que o jogo de “quem sabe-sabe” seja predominante em Angola. A sagrada esperança de vermos uma Angola melhor não deverá sucumbir. 

Viva a leitura... viva Angola.

Cláudia Rodrigues Coutinho:
De Luanda para o Mundo

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