Maior parte dos alunos vão usar materiais curriculares com erros em 2019

Alunos angolanos, da iniciação e ensino primário, vão estudar em 2019 com 37 por cento dos materiais curriculares actualizados, mas a coabitação com os restantes 63 por cento ainda por corrigir é inevitável por falta de verbas para a substituição, admite o Governo.
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A apresentação pública dos materiais curriculares actualizados para o ano lectivo de 2019, que arranca em Fevereiro, foi feita esta Segunda-feira, em cerimónia presidida pelo secretário de Estado da Educação para o Ensino Técnico Profissional, Jesus Baptista.

O governante disse que a coabitação entre os dois materiais se deve a razões de ordem económico-financeira, salientando que a partir de 2020 o sistema funcionará exclusivamente com os materiais curriculares actualizados, que serão gradualmente substituídos entre 2022 e 2025.

Em declarações à imprensa no final da cerimónia, o director-geral do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento da Educação (INIDE), Manuel Afonso, explicou que o concurso para a produção dos materiais curriculares, para o ano lectivo de 2019, foi realizado em 2017 e as gráficas começaram a produzir os materiais para o próximo ano no início de 2018.

"E nós começámos o processo de revisão curricular no mês de Fevereiro [de 2018] e tão logo demos conta, em Maio, que poderíamos já introduzir no sistema de educação os materiais curriculares actualizados, solicitámos ao Ministério da Indústria, às gráficas, para que parassem a produção dos materiais curriculares não actualizados, isso significa que já se havia consumido parte do dinheiro consignado para a produção desses materiais", clarificou.

Segundo Manuel Afonso, a coabitação de ambos os materiais está acautelada com a formação dos professores ao longo dos anos. "Essa coabitação, aparentemente, é polémica, mas, para nós, não, porque os professores já têm domínio das insuficiências e dos erros que foram corrigidos e superados", acrescentou.

Relativamente à distribuição dos materiais, o responsável avançou que será feita na mesma proporção em que estão a ser produzidos, 63 por cento não corrigidos e 37 por cento actualizados e adequados, em todo o país.

Manuel Afonso referiu que o Ministério da Educação está a finalizar a proposta da Política Curricular, onde está acautelado o tempo de vigência dos currículos. "Não pode ser um currículo que dure muito tempo, como este, que foi implementado em 2004 e até hoje continua vigente", disse.

O processo de actualização dos materiais curriculares coube a técnicos do INIDE e professores das escolas sedeadas em Luanda, devido aos custos, bem como especialistas de várias universidades, todos nacionais.

A correcção dos materiais curriculares, nomeadamente Planos Curriculares, Programas das Disciplinas, Manuais Escolares, Cadernos de Actividades, Guias dos Professores, Cadernetas de Avaliação, Relatórios Descritivos e outros, ficou marcado pela superação das insuficiências que apresentavam - erros e descontextualização de matérias.

"Por exemplo, no caso de livros, o de geografia falava de sete barragens de Angola, mas nos últimos anos o país cresceu e então aumentou-se o número em função daquilo que nós temos. Essa insuficiência foi superada em função da evolução do país", explicou o responsável.

Nesta actualização e adequação dos materiais curriculares da educação pré-escolar e do ensino primário foram introduzidos novos temas, como a utilização pelas crianças das pedonais, a necessidade de evitarem caminhar por zonas com pouca movimentação ou não acompanhar pessoas estranhas, situações muito comuns hoje e que estão na origem do desaparecimento de crianças.

A revisão da definição do esqueleto, que no material de 2004 define que o esqueleto é o conjunto de ossos que sustentam o corpo humano, enquanto o actual já refere que sustenta os vertebrados, e a correcção da data de morte do líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, que trazia o erro de 22 de Fevereiro de 2004, enquanto o coreto é 2002, são apenas alguns dos exemplos das várias correcções e actualizações feitas.

Manuel Afonso sublinhou que os erros que foram detectados ao longo destes anos foram corrigidos, no entanto, tanto os actualizados como os não actualizados têm a mesma utilidade didato-pedagógica, tendo em conta que pertencem à mesma matriz curricular.

De acordo com o director-geral do INIDE, apesar de apenas agora se proceder a esta actualização, os erros foram já detectados há bastante tempo, e a correcção era feita, na sala de aula, mediante a abordagem temática na relação-professor aluno.

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