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Gestão estatal deixa prateleiras vazias e caixas fechadas nos hipermercados Kero

A maior parte das prateleiras estão vazias. Em alguns sítios, garrafas de água ocupam os lugares onde antes estavam arroz, feijão, fruta, legumes, farinha… As opções são escassas. Assim é a nova realidade dos hipermercados Kero, do grupo Zahara, três meses depois de a sua gestão ter passado para as mãos do Estado.

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Tido como um dos supermercados favoritos dos luandenses, o Kero sempre foi bem conhecido dos consumidores, sobretudo daqueles que procuravam produtos nacionais. No entanto, após a mudança na gestão, a inexistência de vários produtos e a pouca diversidade dos mesmos tem impacto significativo no número de clientes.

Renata Paulo, uma consumidora, confessou ao Expansão estar decepcionada com a oferta de produtos do Kero. "Há uns meses que tem sido assim, falta quase tudo. Não há detergentes, não há legumes, frutas, congelados. Dificilmente se consegue fazer todas as compras aqui, referiu".

Cliente da cadeia de supermercados desde a inauguração, em 2010, confessa que a fala de produtos a fez reduzir a frequência com que se dirige àquele supermercado, optando por outras cadeias de distribuição.

"Penso que a nova direcção deveria rever as suas estratégias, porque já estão a perder muitos clientes", acrescenta, afirmando que este novo quadro poderá estar ligado à mais recente gestão do hipermercado.

A falta de artigos é escondida por garrafas de água, embalagens de leite e pacotes de guardanapos.

Também Maria Matias, que procurava gastar o crédito do seu cartão Kero, disse ao Expansão que a ausência de produtos é factor comum a todos os estabelecimentos do grupo Zahara na capital. "Devido ao cartão que está carregado (cabaz de Natal), sou mesmo obrigada a fazer compras no Kero", refere, dizendo que encontrou tanto o Kero Gika, como as lojas do Nova Vida e Morro Bento nas mesmas condições.

Considerando a situação "preocupante", refere a falta de produtos e os preços praticados como a razão para a perda de clientes.

Ao mesmo jornal, também os funcionários do hipermercado mostraram preocupação. Limitados na informação em relação à falta de produtos, afirmam que o clima é de insegurança, não sabendo se o problema da falta de produtos passa pela gestão ou por contratempos com os fornecedores. "Como funcionários estamos preocupados, porque não temos informação sobre o assunto. E sem produtos não há clientes, logo os nossos empregos estão em risco", afirmou um dos funcionários ao Expansão.

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