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Transportes

Comboio de Luanda obrigado a parar por duas horas para recolha de lixo na linha

Maquinistas do comboio do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) foram esta Quarta-feira obrigados a descer da máquina para retirar, ao longo de duas horas, enormes quantidades de lixo, que impediam, na zona de Viana, a passagem da locomotiva.

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Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do CFL, Augusto Osório, disse que os maquinistas estiveram das 07h00 até às 09h00, com pás e enxadas, a retirar o lixo da linha para prosseguir viagem.

Augusto Osório disse que a situação é recorrente, com tendência a piorar, porque o lixo vai-se acumulando e as respostas vão sendo cada menos efectivas.

"O risco de isso voltar a acontecer é muito grande. Isto tem acontecido com uma periodicidade de duas em duas semanas, vamos notando esses amontoados, de tal forma grandes, que impedem mesmo [a passagem] e a tripulação tem mesmo que descer para recolher", frisou.

O responsável apelou às entidades que têm a responsabilidade de recolher o lixo para prestarem maior atenção ao CFL, "porque se não, esse cenário vai voltar a repetir-se e é prejuízo para a empresa, para os passageiros, para a sociedade e para os tripulantes".

"A função deles [maquinistas] é conduzir o comboio e não ter que descer com uma pá, com uma enxada para retirar o lixo, horas e horas a retirar o lixo, para que se possa passar com a locomotiva e com a composição inteira", lamentou.

O porta-voz do CFLP apontou como pontos mais críticos o corredor Luanda/Viana/Icolo e Bengo, salientando que são endémicas as zonas a partir de Sambizanga até Capalanca, em Viana.

"Encontramos muitos e muitos focos de lixo, há locais em que a primeira linha está completamente soterrada, não é possível passar sem que se desça para retirar o lixo", indicou.

Segundo Augusto Osório, a situação é do conhecimento do governo da província de Luanda, não só na pessoa dos administradores do corredor, que abrange os municípios de Luanda, Cazenga, Viana e Icolo e Bengo, como da mais alta estrutura ao nível do governo provincial da capital.

"Temos tido reuniões periódicas com os administradores e com os órgãos de polícia ao nível dessas municipalidades e, infelizmente, as respostas que gostaríamos de ver efetivadas, a realidade nos diz que não", disse Augusto Osório.

O porta-voz reiterou que "a situação tende a piorar e a degradação do CFL, por via desta deposição de lixo, é cada vez maior".