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Governo vai incluir grandes empresas na linha de desconto de títulos públicos

As grandes empresas do sector produtivo do país serão incluídas na linha do desconto de títulos públicos, no valor de até 100 mil milhões de kwanzas, ajuda antes prevista apenas para pequenas e médias empresas.

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A decisão, saída esta Quinta-feira da reunião do Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA), de incluir as grandes empresas na linha de liquidez para compra de títulos públicos, pretende dar apoio directo ao sector produtivo e aliviar pressões sobre a tesouraria dessas "grandes empregadoras".

O apoio, realça o BNA, em comunicado, vai permitir a continuação das actividades das grandes empresas e, consequentemente, a manutenção de postos de trabalho.

Em 27 de Março, o governador do banco central angolano, José de Lima Massano, tinha anunciado a criação de uma facilidade global de até 100 mil milhões de kwanzas para que empresas fora da área financeira com títulos públicos pudessem descontá-los junto dos bancos comerciais.

"Numa facilidade até 100 mil milhões de kwanzas concedidas pelo Banco Nacional de Angola, algumas empresas, quer por opção de investimento, no passado, quer por regularização de dívidas públicas, por exemplo, receberam títulos públicos e poderão nesta altura ter o interesse em desfazer-se de modo competitivo desses títulos públicos para terem acesso à liquidez", explicou.

José de Lima Massano frisou, na altura, que a decisão permite que "esses títulos possam ser descontados e estas empresas possam ter acesso à liquidez sem que necessariamente tenham de fazer descontos acentuados dos títulos que possuam em carteira".

Na reunião realizada esta Quinta-feira, em sessão ordinária antecipada para analisar o comportamento recente dos principais indicadores económicos, o BNA decidiu manter a taxa básica de juro em 15,5 por cento, a taxa de juro da facilidade permanente de absorção de liquidez, com maturidade 'overnight' em 0 por cento e manter em 22 por cento e 15 por cento os coeficientes de reservas obrigatórias em moeda nacional e estrangeira, respectivamente.

"Com a manutenção da taxa de juro directora inalterada, o Banco Nacional de Angola reafirma o seu compromisso no controlo da inflação, monitorizando a base monetária, variável operacional da política monetária, cuja meta em termos de média diária no trimestre está fixada em 2,055 biliões de kwanzas até Junho de 2020", refere o comunicado.

Assegurar a facilidade permanente de cedência de liquidez através da disponibilização do montante de até 100 mil milhões de kwanzas aos bancos comerciais é também um dos objectivos para "tornar previsível e estável o acesso destes à liquidez, em caso de necessidade".

O Comité de Política Monetária reiterou o seu compromisso com a manutenção da estabilidade dos preços na economia e, para efeito, vai continuar a analisar todos os factores determinantes da inflação, quer do lado da oferta, como da procura.

Em Março deste ano, o índice de preços no consumidor nacional divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística apresentou uma variação mensal de 1,85 por cento acima de 1,72 por cento registada em Fevereiro, levando a inflação acumulada para 5,73 por cento e a homóloga para 19,62 por cento, nível acima do observado em igual período de 2019 (17,56 por cento).

A classe de alimentação e bebidas não alcoólicas continua a ser o principal factor de pressão sobre os preços na economia, tendo contribuído com 61,74 por cento.

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