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Opinião A Opinião de Janísio Salomão

As 10 lições que podem ser retiradas da visita do Presidente Marcelo de Sousa

Janísio Salomão

Mestre em Administração de Empresas, Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas

A visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa foi de facto “estonteante”, marcada por “selfies”, abraços e muitos beijinhos. Por cá na banda(1) até já o apelidamos por “Tio Celito”. A expressão “Tio” para os mwangole(2) não é apenas atribuída àqueles com quem temos laços de consanguinidade, mas de acordo a cultura bantu “Tio” é alguém por quem nutrimos respeito, carinho e admiração, independente do seu grau de parentesco.

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Não sei de onde é que o Presidente Marcelo de Sousa tira tanta “genica”(3) para, ininterruptamente, conseguir realizar o périplo que fez, a iniciar pelas províncias de Luanda, Benguela e Huila. 

De resto, tal conforme também foi dito por ele, a visita a Angola foi histórica e as relações encontram-se a um nível “excelente”, um marco incontornável passo a consolidação das relações entre Portugal e Angola.

Apesar de ser uma visita história, a mesma não deixou de ser alvo de críticas quer por fazedores de opinião e alguns experts, a julgar pela mediatização que a imprensa angolana gerou em torno da visita do Presidente Marcelo de Sousa, situação que talvez tenha servido como um elemento catalisador na recepção apoteótica a que “tio celito” foi alvo nas províncias da Huila e Benguela.

De resto, a visita remete-nos a um estágio profundo e reflexivo, do qual se podem retirar as seguintes lições, sobretudo para as Lideranças Políticas: 

  1. O líder deve ter um contacto com os seus liderados, nem que seja esporadicamente, este contacto deve fluir. O que se verifica é que muitas das vezes os liderados não conhecem quem os lidera, apenas soam os nomes através dos despachos que são afixados nas vitrines;
  2. O líder não deve envaidecer-se pelo cargo que ostenta, pois antes de ser líder ele é um ser humano, o poder não pode cegar, ao ponto de não se conseguir enxergar o mundo a sua volta; 
  3. Devemos tratar todos com carinho, respeito e afecto, às vezes um bom dia, como passou a noite, valem mais que mil intenções ou um salário, todo o mundo gosta de ser bem tratado;
  4. O líder apesar do cargo é ser um servidor, e como tal, se deve servir quer com ações e gestos . Já dizia o célebre activista Mahatma Gandhi: “Quem não vive para servir, não serve para viver”;
  5. Os títulos que possuímos não suplantam valores que nos foram passados/adquiridos desde a tenra idade, tais como: o real significado do respeito, amor, carinho, fraternidade, amizade, isto não se adquire com diplomas, não se compra, nem se negoceia;
  6. Um abraço, um carinho e um afecto valem mais que mil palavras, por isso os líderes  devem abraçar mais, devem ser mais carinhosos;
  7. A forma como cada um trata o seu liderado, será a forma como ele o irá tratar, e de certo isto marcará a sua vida;
  8. Podemos ser de cores partidárias diferentes, objectivos e propósitos distintos, mas no final de tudo pertencemos a um único país, a uma única nação. (A comitiva do PR Marcelo fez-se representar por diferentes forças políticas existentes) “Todos por um, um por todos”;
  9. Onde quer que estejas, a tua pedra, o teu contributo faz toda a diferença e, é crucial para o desenvolvimento do país;
  10. Quando fizeres uma promessa não tardes em cumpri-la.

Para trás apenas ficam as memórias e recordações de um homem que quase sempre quebra o protocolo para abraçar, beijar e tirar “selfies”. É “tio celito” no seu melhor, espalhando o seu aroma e boa disposição cá por terras de Angola.

Uma coisa é verídica, Angola e Portugal estão condenados a viverem juntos e aturarem-se como um casal, que apesar das brigas se ama e não pensa em separar-se. 


(1) Angola 

(2) Angolano 

(3) Força, garra.

Opinião de
Janísio Salomão