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Sharish Gin: do Alentejo português para a capital angolana

Chama-se “Sharish Gin”, é um gin totalmente artesanal produzido em Portugal, na região de Reguengos de Monsaraz e que está a conquistar os mercados internacionais. Começou a ser confeccionado por brincadeira e a pedido de alguns amigos, mas o sabor foi considerado de tal forma agradável que começou a ser comercializado, primeiro entre conhecidos. Em Abril de 2014, chegou a uma série de lojas portuguesas e, desde o último Verão entrou em Angola, Bélgica e Suíça. Este ano vai chegar a Itália, Espanha, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos da América, Brasil e Taiwan.

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O projecto foi criado por António Cuco, numa altura em que estava desempregado. No restaurante dos pais, onde habitualmente estava, os amigos iam pedindo novos sabores de gin. “Chegaram mesmo a pedir-me que criasse eu um sabor para lhes dar a provar tal como a minha mãe dava a provar às senhoras o Licor de Café e o meu pai o bagaço que fazia” – disse ao VerAngola António Cuco, que foi alimentando a ideia até que lhe deu vida. O primeiro gin que criou não saiu bem já que ao vodka apenas lhe juntou ervas aromáticas.

Depois de muito pesquisar encontrou uma receita que se transformou num sucesso. Começou a adquirir vodka para destilar e, aderiu ao programa português CPE (Criação do Próprio Emprego) do Instituto de Emprego e Solidariedade Social. “Já que estava desempregado, aproveitei para pedir o subsídio de desemprego a que tinha direito de uma só vez para criar o meu próprio negócio. Arrisquei e estou a ter sucesso” – conta António Cuco.

As primeiras criações foram apenas para consumo próprio e dos amigos que lhe começaram a pedir umas garrafas para oferecer. O passa a palavra foi de tal forma frutífero que as encomendas começaram a surgir e a 24 de Abril de 2014 foi colocado à venda o primeiro “Sharish Gin”. Todo o processo – explica o mentor do projecto – é artesanal. É num armazém, propriedade do mentor do projecto que a produção é feita. A ajudá-lo tem um funcionário a tempo inteiro e três em part-time. A distribuição é feita por agentes.

O empreendedorismo do negócio de António Cuco é tal que para além do original criou outros tipos, como o Sharish de Pêra Rocha, de edição limitada. Uma edição que só voltará a surgir no mercado na altura da apanha do fruto que tão bem caracteriza Portugal. Mas até lá António Cuco não vai ficar parado. Este ano vai ser colocado no mercado pelo menos um novo sabor, o de frutos vermelhos, cujo lançamento está agendado para 24 de Abril.

“Antes deste novo sabor ser colocado à venda, vai ainda ser lançada a marca Sharish Vodka. Depois de Abril poderão surgir novos sabores ou até mesmo novos produtos” – acrescenta António Cuco dando nota da vontade que tem em aumentar para sete mil litros mensais a produção que actualmente se situa nos cinco mil. Uma produção que tem sido, por enquanto, suficiente para as encomendas. umentados serão também os postos de trabalho. “A correr como o previsto, até ao Verão vou precisar de contratar um novo funcionário” – explica.

António Cuco não esconde a satisfação que tem em saber que o negócio que nasceu de uma brincadeira está a tornar-se num caso de empreendedorismo exemplar que dá para sobreviver e pagar os ordenados. “O feedback é excelente. Junto dos fornecedores tenho uma boa imagem já que pago a pronto e não tenho recorrido a empréstimos” – explica.

A entrada no mercado internacional de uma forma tão repentina é vista pelo empreendedor como uma mais-valia para o sucesso. Mas para a confecção do produto António Cuco prefere não importar. “Só quando cá não existe o que pretendo como é o caso da canela, zinho e cravinho. Mesmo assim procuro em Portugal quem revenda estes produtos vindos da Índia e da Croácia. Tudo o resto, incluindo o álcool é nacional” – revela.