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Economia

Banco central elogiado por ter mudado o paradigma dos preços de mercado

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou os "passos decididos" do Banco Nacional de Angola (BNA) para melhorar a flexibilidade da taxa de câmbio e alinhá-la com o mercado, considerando que esta é uma "mudança de paradigma".

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"O BNA deu passos decididos para melhorar a flexibilidade da taxa de câmbio", elogia o FMI na análise detalhada à segunda avaliação do Programa de Financiamento Ampliado, que permitirá ao país receber 3,7 mil milhões de dólares, até 2024.

Os técnicos do FMI consideram que esta "mudança para uma taxa de câmbio de mercado é uma mudança de paradigma, com profundas implicações estruturais".

"A liberalização da taxa de câmbio vai reduzir substancialmente o risco de sobrevalorização do kwanza e ajudar a alocar as limitadas reservas de moeda estrangeira de forma mais eficiente", escreveram os analistas.

Na parte da análise referente à política monetária dos últimos meses, o FMI salienta os benefícios desta medida, que tem sido bastante contestada a nível nacional devido ao seu impacto na inflação, que aliás deverá atingir o pico em 2020, subindo de 16 por cento em média, este ano, para um valor na ordem dos 24 por cento, e que levou a uma depreciação do kwanza em cerca de 30 por cento desde o início do ano.

"Isto deverá ter efeitos benéficos na eficácia dos instrumentos de política monetária, como por exemplo as operações em mercado aberto, necessários para reforçar a âncora nominal, reduzir o risco de distorção da intermediação financeira, facilitar a acumulação de reservas, apoiar a competitividade externa e a diversificação económica e encurtar a diferença entre a taxa oficial e a paralela", apontam.

A depreciação do kwanza, acrescentam, deve resultar num impacto menor na inflação, desde que as políticas monetária e orçamental continuem restritivas.

O BNA, lê-se no documento, "está a trabalhar para eliminar as restrições informais aos levantamentos de moeda estrangeira e até final deste mês deverá emitir instruções legais que obrigam os bancos a dar uma explicação, por escrito, aos clientes a quem for negado o acesso a depósitos em moeda estrangeira", havendo penas para os bancos incumpridores.

Por outro lado, acrescenta-se na análise detalhada à segunda revisão do Programa de Financiamento Ampliado, "as autoridades estão a considerar uma remoção gradual das restrições às contas de capital".