Contas aprovadas com reservas em 2018 para 40 empresas públicas

No universo de mais de 80 empresas públicas, 46 apresentaram os seus resultados de 2018, das quais sete viram as suas contas e relatórios aprovados e as restantes aprovadas com reservas.
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Os dados foram avançados pelo administrador executivo do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Akiules Neto, na apresentação das contas do sector empresarial público de 2018.

Segundo Akiules Neto, em 2018, o activo do sector empresarial público foi de 23,8 biliões de kwanzas, o passivo de 14,059 biliões de kwanzas e o capital próprio de 9,8 biliões de kwanzas.

O responsável frisou que no volume de negócios e nos resultados operacionais e financeiros foi onde se verificou “uma performance mais negativa”, com “um grande declínio”, devido essencialmente à componente cambial.

Com um resultado líquido de 10,1 biliões de kwanzas, o administrador executivo do IGAPE considerou positivo o valor, desejando que o crescimento se mantenha também nos próximos anos.

Em 2018, o sector empresarial público empregou mais de 50 mil trabalhadores, verificando-se, contudo, uma redução de 2 por cento comparativamente a 2017.

O sector dos transportes é o que apresenta o maior número de trabalhadores (14.339), seguido pela energia e águas (9814), recursos minerais e petróleos (8359).

Akiules Neto disse que ainda existe a necessidade de se sistematizar a componente de entrega e produção dos dados financeiros e das empresas, para uma melhor perceção “onde existem as lacunas e as oportunidades” para o Estado conseguir encontrar melhores soluções.

“Esta sistematização será necessária e implementada em conjunto com cada um dos conselhos de administração das empresas e os órgãos fiscalizadores, quer sejam os auditores externos quer sejam os conselhos fiscais”, referiu.

Por sua vez, o presidente do conselho de administração do IGAPE, Patrício Vilar, considerou que, apesar do número reduzido de empresas que apresentaram as suas contas, se registou um feito histórico, porque pela primeira vez se conseguiu publicar as contas de empresas públicas.

“O determinante não era se eles tinham ou não tinham reservas de auditores. O determinante é saber que as contas estão publicadas e que somos transparentes”, referiu.

Patrício Vilar frisou à comunicação social que há uns tempos não existia este exercício, havia “empresas aprovadas mais ou menos” neste número e depois havia “empresas reprovadas”.

“Esse ano foi um marco histórico, pela primeira vez, independentemente da situação das contas, as empresas fizeram um esforço no sentido de fecharem as suas contas e de colocá-las ao escrutínio, primeiro dos auditores, e depois ao público”, afirmou, considerando que é um primeiro passo para se começar “a ser sistemático na preparação e produção dessas contas”.

O presidente do IGAPE notou que até há bem pouco tempo, as contas aprovadas com ou sem reservas “não ultrapassavam a vintena”, mas este ano já estão na ordem das cinco dezenas, sendo o desafio para 2020, o fecho das contas a tempo.

“Já estamos no bom caminho, vamos trabalhar no sentido de profissionalizar, não apenas a gestão, mas acima de tudo no sentido de transformar as empresas públicas em sociedades comerciais”, vincou.

O responsável não deixou de referenciar a discrepância entre a lei do sector empresarial público e o das sociedades comerciais, que obriga a última a fechar as contas até 31 de Março e a primeira até 31 de Maio.

“Temos que profissionalizar”, afirmou Patrício Vilar, salientando que a diferença de dois meses influencia no processo de apresentação de contas.

Para o presidente do IGAPE, se apenas se “descobrir o resultado das contas do ano anterior quase a meio do ano, a capacidade de correção é muito pequena”. “Temos que começar a mudar o ‘status quo’ e é nesse sentido que vamos trabalhar”, referiu.

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