Atlanfina espera recuperação “razoável” nos últimos três meses do ano

Depois do “calvário” dos últimos cinco anos, o maior importador angolano de vinhos portugueses, a Atlanfina, volta a encarar o mercado com algum optimismo e espera uma recuperação “razoável” nos últimos três meses do ano.
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“A Atlanfina teve como ideário a promoção dos vinhos portugueses em Angola e é essa a nossa bandeira”, disse o administrador executivo do grupo luso-angolano, António Lopes Alves, salientando os “resultados extraordinários” obtidos com a maioria das marcas, muitas das quais começaram a ter em Angola o seu principal mercado.

Depois veio a crise. Nos últimos “cinco anos tem sido um calvário, em todos os aspectos, tem sido um filme de terror”, disse o responsável à Lusa, lamentando ter-se sentido neste período “muito desapoiado”, apesar da “boa relação com os parceiros comerciais”.

Os apoios faltaram, sobretudo na obtenção de divisas: “acabámos por ficar esquecidos, sem possibilidade de dinamizar a nossa actividade”.

“Ficámos frustrados. Achamos que o trabalho que temos feito em prol das marcas portuguesas merecia outra atenção”, insistiu, criticando o Governo português por não ter sido eficaz na concretização dos instrumentos prometidos para apoiar os empresários portugueses. 

Apontou como exemplo o caso das linhas de seguros de crédito e apoios comunitários que acabaram por “não ajudar as empresas” e o que “era solução virou um problema” pois não tiveram em conta as realidades locais.

“Não podemos ver o mercado de Angola à luz do mercado português, há outros condicionalismos. Nem sempre se consegue ter o mesmo grau de exigência formal nos processos e na actividade”, justificou António Lopes Alpes, salientando que apesar de institucionalmente haver apoios, na prática as empresas “ficaram sós”.

“Perdemos todos os anos alguns milhões de euros, pela desvalorização cambial e pela impossibilidade de transferirmos o dinheiro para Portugal ou outros países”, destacou o empresário, acrescentando que, no que diz respeito às divisas, a Atlanfina estava “sempre no fundo da fila”.

António Lopes Alves disse que “as vendas caíram brutalmente”, neste período, apontando para um decréscimo na ordem dos 50 por cento. “Pensámos que este ano seria o início de um novo ciclo positivo, mas foi mais um ano de dificuldades”, sublinhou o administrador da Atlanfina, deixando, no entanto, uma nota de otimismo.

“Temos de reconhecer também um lado positivo, sentimos alguma normalização, a tentativa bem-vinda e meritória de normalizar os procedimentos bancários”, referiu.

Quanto ao impacto do IVA, que entrou em vigor a 1 de Outubro no sector, considerou que “é uma decisão legitima da autoridade fiscal angolana” para a qual a empresa se preparou para aderir e que encara com naturalidade.

Sobre a possibilidade de subida dos preços, António Lopes Alves considerou que “tem de ser visto caso a caso”, salientando que deixou também de ser aplicado o Imposto sobre o Consumo. “Penso que, no global, há uma compensação”, adiantou.

O empresário afirmou que a Atlanfina está, este ano, “a tentar contrariar a todo o custo a tal queda de 50 por cento”, admitindo que venha a ser menos significativa.

“Ainda vamos ver como correm estes últimos três meses, que representam cerca de 40 por cento do negócio, esperamos fazer uma ponta final razoável”, indicou António Lopes Alves.

O administrador descreve o mercado como vocacionado para a componente lúdica e festiva, “com pessoas curiosas e interessadas nos novos produtos”, referindo que os vinhos tintos continuam a ter “grande preponderância”.

A Atlanfina foi criada na década de 1980 e representa cerca de 70 empresas, com os vinhos a pesarem cerca de 60 por cento nas vendas.

Segundo os dados mais recentes do Ministério da Agricultura, divulgados em Setembro, as exportações portuguesas de vinho cresceram 2,5 por cento entre Janeiro e Julho. Nesse período, foi conseguida a recuperação do mercado nacional, com um aumento de 29 por cento em valor e a manutenção do preço médio.

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