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Estudantes dizem que plataforma do Governo visa “silenciar movimentos de pressão”

O Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) considerou esta Quarta-feira como "uma diversão" o lançamento da plataforma electrónica de registo das associações juvenis e estudantes no país, referindo que a iniciativa das autoridades visa "silenciar os movimentos juvenis de pressão".

: Presidente do MEA, Francisco Teixeira
Presidente do MEA, Francisco Teixeira  

"Isso é diversão, o Ministério da Juventude e Desportos está a divertir-se porque o Plano de Desenvolvimento Nacional, por exemplo, fala em financiamento às organizações juvenis e estudantis e o Estado até hoje não consegue encontrar mecanismos para financiar as organizações juvenis", afirmou o presidente do MEA, Francisco Teixeira.

Em declarações aos jornalistas no final de cerimónia de lançamento da plataforma tecnológica, que se propõe criar uma base de dados do cadastro das organizações juvenis e estudantis de Angola, o responsável manifestou-se céptico com a iniciativa.

"A apresentação desta plataforma deixa-nos cépticos porque pode ser a mesma forma que o Estado encontrou para controlar a média em Angola, porque se as organizações não se inscreverem nessa plataforma o que é que acontece depois?", questionou.

"É o problema e eu tenho receio dos movimentos de pressão, o Movimento Revolucionário, isso pode ser uma táctica do Estado para depois dizer que quem não está legalizado aqui não pode avançar", disse.

O Governo lançou esta Quarta-feira uma plataforma electrónica de registo das associações juvenis e estudantis no país com o propósito de "identificar, certificar, apoiar, monitorar a dinâmica" e o grau de actividade das organizações juvenis do país.

Segundo a ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula do Sacramento, a plataforma que visa a criação de uma base de dados do cadastro das organizações juvenis e estudantis de Angola "será um importante instrumento de gestão associativa".

A criação desta plataforma electrónica, já disponível no endereço raje.gov.ao, surge no quadro da "criação de condições objectivas susceptíveis de promover a participação da juventude na vida pública".

De acordo com Ana Paula do Sacramento, a plataforma "visa assegurar uma melhor gestão das organizações juvenis para que seja possível conhecer a sua dinâmica associativa, no quadro legal e a nível organizativo com base nos instrumentos estatutários".

"Para assegurar a efectivação da base de dados de registo das associações juvenis, será implementado um regulamento específico que definirá o perfil e o âmbito de cada associação", notou.

Porém, Francisco Teixeira não acredita na "boa-fé" das autoridades e considera que o órgão ministerial "deveria ter algum receio quando vem nos vender mais essa ilusão".

"Porque isso não tem benefício do ponto de vista prático, porque tenho que me legalizar no Ministério da Justiça e depois é que venho para esta plataforma e não vejo ganhos, eu vejo isso com preocupação", concluiu.

A plataforma, sob gestão do Ministério da Juventude e Desportos, foi desenvolvida em parceria com o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social de Angola.

A cerimónia de apresentação decorreu no auditório do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social angolano, em Luanda, e contou com a presença de vários líderes juvenis e de dirigentes de federações desportivas.

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