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Economia

Dinheiro poupado com alívio da dívida servirá para pagar outras dívidas

O alívio da dívida negociado no âmbito do G20 vai permitir a Angola poupar, até 2023, cerca de seis mil milhões de dólares. Contudo, esse dinheiro deverá ser usado para o país saldar dívidas que tem activas com outros parceiros e também ajudar a co-financiar os programas do Governo que visam estimular a produção nacional e a inclusão social.

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De acordo com a ministra das Finanças, Vera Daves, citada pela Angop, a par do crédito do G20, o país tem ainda dívidas activas com outros parceiros. Por essa razão, a ministra explicou que o dinheiro recuperado com a suspensão do crédito do G20 servirá para o país pagar a esses parceiros.

Vera Daves, que falava em conferência de imprensa sobre as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), fez ainda saber que parte desse dinheiro será usado nos programas económicos do Governo. Segundo a titular da pasta das finanças o Executivo irá usar o dinheiro para co-financiar esses programas.

O Governo tem convidado vários empresários, quer por via de parcerias público-privadas quer através do incentivo dos bancos em financiar projectos, a participar nos programas que deverão gerar emprego e fazer crescer a economia do país, disse.

Estas parcerias têm como objectivo ajudar a melhorar as condições de vida da população através da criação de emprego, admitiu.

Vera Daves aproveitou ainda a ocasião para referir que o memorando que prevê a suspensão do pagamento da dívida no Clube de Paris já foi assinado e indicou que a iniciativa de suspensão já foi negociada com outros credores.

"Não podemos entrar nos detalhes por causa dos acordos de confidencialidade que temos com esses credores mas, obviamente, partilhamos sempre as poupanças estimadas com esses processos. Somos totalmente transparentes nisso", disse.

Quanto ao FMI, a titular da pasta das Finanças adiantou que não existiram entraves nas negociações. O FMI acompanhou as iniciativas de Angola e concluiu que o país tem possibilidade de pagar a dívida, completou.

"Analisados todos esses factores, exercícios e poupanças chegou-se a conclusão que a divida angolana é sustentada", frisou.

Quanto à descida do rating de Angola, a ministra explicou que a Fitch avaliou o risco antes de terem acesso à decisão do FMI. Destacando que o Governo tem feito tudo ao seu alcance para implementar reformas e melhorar a economia, a ministra pediu para que as entidades que avaliam o risco voltassem a analisar a decisão, tendo em conta a avaliação positiva do FMI.

O país tem uma dívida de cerca de 90 por cento do PIB e 60 por cento do Orçamento Geral do Estado 2020 (13,5 mil milhões de kwanzas). No final deste ano estima-se que a dívida chegue aos 123 por cento do PIB.

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