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Auto-suficiência alimentar daqui a cinco anos? Ministro da Agricultura diz que sim

Francisco de Assis, ministro da Agricultura e Pescas, afirmou que Angola tem capacidade para atingir a auto-suficiência alimentar no prazo de cinco anos. No entanto, esta ‘meta’ está dependente da resolução de problemas de vários tipos: capital humano, logísticos e de mercado.

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Baseando-se em vários indicadores do sector, o titular da pasta da Agricultura adiantou ainda que já em 2022 o país poderá atingir valores de produção próximos das três milhões de toneladas em cereais e 13 a 14 milhões de toneladas em raízes e tubérculos.

Em entrevista à televisão pública, Francisco de Assis reconheceu, no entanto, a existência de lacunas em termos de capital humano, afirmando que existem projectos em curso que procuram formar profissionais nesta actividade. 

Apontou ainda como fundamental a consideração do calendário agrícola, bem como a aquisição e aplicação de adubo em tempo adequado, outra das grandes dificuldades do país. O ministro reconheceu as condicionantes no acesso a fertilizantes e os elevados preços para a sua aquisição. O stock anual necessário é de 60 mil toneladas, no mínimo e sem rupturas, referiu.

"A nossa segunda independência acontecerá quando o país tiver uma fábrica de fertilizante que formule de acordo com as diferentes características das regiões agroclimáticas do país", afirmou. O governante disse considerar muito difícil, sobretudo no que concerne à agricultura familiar, a compra de um saco de adubo comercializado a 30.000 kwanzas e de um de ureia vendido a 20.000 kwanzas.

Como o último dos grandes desafios para o desenvolvimento da agricultura e o alcance da tão desejada auto-suficiência alimentar, Francisco de Assis apontou as dificuldades no escoamento de produtos. Esta é uma actividade que envolve outros sectores, nomeadamente os transportes, distribuição e comércio, estando por isso sempre condicionada de alguma forma.

O ministro criticou ainda a primazia dada a produtos importados, ao invés da preferência pelo que é nacional, referindo que estas situações geram distorções no mercado.

Superados todos estes problemas, o principal desafio do sector passará sempre pela sustentabilidade da economia nacional, concluiu o ministro.