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Estudantes admitem protestos caso aulas recomecem sem segurança e higiene

O Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) considerou esta Terça-feira que o país "não tem condições básicas e de biossegurança" para o reinício das aulas, previsto para 13 de Julho, admitindo "avançar com protestos" caso as aulas retomem sem segurança e higiene.

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"Se o Estado não colocar tambores de água, não reparar as casas de banho, não meter a figura de empregada de limpeza, do vigilante e não meter seguranças nas escolas não vamos aceitar o retorno das aulas seja de quem venha a posição", afirmou na Terça-feira o presidente do MEA, Francisco Teixeira.

O líder associativo, que falava, em Luanda, durante uma conferência de imprensa conjunta promovida igualmente por organizações juvenis de partidos políticos angolanos com assento parlamentar, referiu que o seu movimento "tem força suficiente para travar [as aulas], caso o Governo não crie as condições básicas".

As aulas no ensino geral em Angola foram suspensas em Março, antes de o Presidente, João Lourenço, decretar estado de emergência que vigorou no país entre 25 de Março e 25 de Maio, visando conter a propagação da covid-19.

O reinício das aulas no ensino superior e no II ciclo do ensino secundário está previsto para 13 de Julho, mas "dependente da evolução da situação epidemiológica" à luz do decreto que determina a situação de calamidade pública em Angola.

O decreto que declarou a situação de calamidade pública, vigente no país desde 26 de Maio, prevê também o reinício das aulas no I ciclo do ensino secundário e ensino primário a partir de 27 de Julho.

Para Francisco Teixeira, "é prematuro" falar sobre o recomeço das aulas "quando o país tem escolas sem segurança, em boa parte das escolas públicas no país as casas-de-banho não funciona e estudantes são obrigados a fazer necessidades fisiológicas em casa".

"Estamos a falar de um país que há mais de 4 anos não realiza concurso para empregadas de limpeza e segurança para as escolas públicas", adiantou.

Segundo o presidente do MEA, a problemática do reinício das aulas no país é visto na perspectiva de "duas Angolas", sendo "uma com escolas públicas degradadas e sem carteiras e outras com escolas privadas onde estudam filhos dos dirigentes do país".

"Então da nossa Angola, na periferia, não estamos preparados, mas da Angola deles estão preparados, porque há um grupo de indivíduos que querem transformar a educação em comércio e insta que temos de reiniciar as aulas já", considerou.

Além do MEA, a Juventude Unida e Revolucionária de Angola (JURA), a Juventude Patriótica de Angola (JPA), a Juventude do Partido de Renovação Social (JURS) e a Juventude da Frente Nacional de Libertação de Angola (JFNLA) foram os promotores da conferência de imprensa, que olhou para a situação de Angola em tempo da pandemia.

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