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Um problema grave na economia admitido com irrelevância pode ter efeitos drásticos


Um problema grave na economia admitido com irrelevância pode ter efeitos drásticos

Michel Pedro

Michel Pedro é jornalista na revista Economia e Mercado

Em entrevista à Angop, o Administrador do Banco Nacional de Angola (BNA), António Ramos da Cruz, pareceu admitir, o facto mais do que provável da transformação das moedas metálicas emitidas pelo banco central com total irrelevância, enquanto o país vai perdendo muito dinheiro devido à destruição das moedas de 100, 50 e 20 kwanzas.
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“Acredito que as pessoas estejam a usá-la apenas para aproveitar a parte do cobre para fazer objectos de decoração”.

Apenas? Bem, eu acho isso grave!

Independentemente de qual seja o objectivo das pessoas, decorativos ou joalharia, a acção prejudica em grande medida a economia, se tivermos em conta a quantidade de pessoas e de moedas a serem transformadas nos bairros d Luanda.

“Não acredito que seja para afectar a economia no seu todo. Apesar de que isso acaba tendo um efeito nela”, afirmou António Ramos da Cruz.

O administrador foi mais longe quando disse em entrevista “era difícil dizer se há um objectivo das pessoas que estão a transformar a moeda de 20 kwanzas em afectar a economia”.

A menos que o administrador do Banco Nacional de Angola, António Ramos da Cruz, não esteja informado das dificuldades dos agentes económicos (no caso dos taxistas, as zungueiras e até mesmo as lojas) em obter trocos no dia-a-dia¸ a afirmação de Ramos da Cruz de que “a quantidade da moeda que esteja a ser transformada seja pequena”, é irrefutavelmente uma aceitação com irrelevância de um problema grave e que pode implicar graves consequências na economia.

Acredito que o administrador do BNA não recorreu à dados, que se houver alguma investigação dos Serviços de Investigação Criminal (SIC), investigativos que lhe pudessem colocar a par da situação.

As famílias angolanas, maior parte e sobre tudo as das periferias, não têm, não por sua culpa, uma educação financeira que lhes fortifique o espírito da valorização da moeda nacional e acabam por ser a parte mais sensível da sociedade a cedência das moedas, que possivelmente tenham como poupança, à transformação das mesmas em pulseiras e anéis.

Se as pessoas, ao destruírem as moedas, não desejam prejudicar a economia nacional, então se pode concluir, apoiando-se nas afirmações daquele dirigente, que a economia angolana não precisa da moeda como instrumento de trocas para ser verdadeiramente uma economia.

Até serem aceites como meios de pagamentos ou trocas, será normal admitir que a transformação das moedas em pulseiras não prejudica a economia.

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