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Defesa

Polícia denuncia incumprimento do estado de emergência por parte de juiz e ex-ministro

O porta-voz do Ministério do Interior lamentou o incumprimento das regras do estado de emergência por parte de altas individualidades, incluindo um ex-ministro de Estado e um juiz, avisando que a lei é igual para todos.

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No balanço habitual sobre a situação epidemiológica da covid-19 e o estado de emergência, Valdemar José disse que se continuou a registar, nas últimas 24 horas, um elevado fluxo de movimento de cidadãos, lembrando que a cerca sanitária foi levantada a nível provincial, mas para questões comerciais, "não para lazer, nem para visitar a família".

Criticou também "aqueles que devem servir de exemplo à sociedade" e não o fazem e avisou que a polícia vai passar a disponibilizar a identificação dos cidadãos incumpridores.

"No dia de hoje [Quinta-feira] até entidades do aparelho de Estado, algumas até que já dirigiram determinados ministérios, que pela sua magnitude deveriam servir de exemplo para os restantes cidadãos" tentaram violar a cerca sanitária de Luanda, incluindo o juiz da comarca do Namibe, Januário Catengo, que tentava sair de Luanda num camião de transporte de mercadorias e "foi retido e obrigado a retornar a casa".

Também o ex-ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Frederico Cardoso, foi detectado a tentar sair de Luanda, afirmou o responsável do MININT, pedindo aos cidadãos que não adoptem essas medidas porque a "lei é para aplicar a todos, sem excepção".

"Todos os que violarem a lei nos próximos dias, independentemente da sua qualidade, posição ou estatuto, a lei será aplicada. Fica aqui o alerta", avisou o subcomissário.

Entre as preocupações da polícia apontou o elevado número de credenciais falsas para justificar a necessidade de sair de casa e o movimento elevado na fronteira com a província do Bengo.

"Aquilo é um caos", sublinhou, dizendo que os cidadãos apresentam as mais variadas desculpas para tentar o atravessamento, incluindo trabalhos agrícolas.

Valdemar José alertou ainda para o "perigo autêntico" que implica a troca e cedência de máscaras que tem sido identificado nos táxis colectivos, onde só é permitido o acesso com este meio de protecção.

Na Quinta-feira foram julgados 18 cidadãos por desobediência em Luanda, com pena convertida em multa e apreendidos 3090 litros de gasolina que seriam contrabandeados.

Valdemar José afirmou que a actuação mais rigorosa da polícia face aos incumprimentos levou à detenção de 526 cidadãos, mais 419 detenções do que no dia anterior, das quais 212 por violação de fronteiras e 314 por desobediência.

Além disso "quase duplicou a apreensão de viaturas", com 243 táxis colectivos apreendidos, muitos deles por excesso de lotação e 105 motociclos apreendidos por se encontrarem a exercer actividade de moto-táxi, proibida enquanto dura o estado de emergência.