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Um programa que desafia a oposição em Angola


Um programa que desafia a oposição em Angola

Michel Pedro

Michel Pedro é jornalista na revista Economia e Mercado

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) procedeu à apresentação, no dia 10 de Maio do corrente ano, em Luanda, do seu programa de governação para o período 2017 – 2022. Um programa que garante mudança necessária na governação do país e desafia programas que eventualmente a oposição angolana irá apresentar.
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Em fase de pré-campanha eleitoral, período em que o MPLA explora o “ring político” sob a invisibilidade dos partidos da oposição nas campanhas preliminares, veio ao conhecimento da população o programa de governação do partido até ao momento governante.

O actual presidente do partido político, José Eduardo dos Santos, exerceu uma forte influência na elaboração do documento embasado na Moção de Estratégia do líder do MPLA, com a devida aprovação dos 2530 delegados presentes por altura da realização, em Agosto de 2016, do VII Congresso Ordinário do partido.

O MPLA e João Lourenço, candidato às eleições gerais previstas para 23 de Agosto do ano em curso, têm feito, até ao momento, uma incursão pelo país todo, primeiro para apresentação do mesmo às populações e em segundo para massificar a sua aproximação com o povo.

Como qualquer uma força política, o MPLA procedeu hoje à apresentação do seu programa de governação, que considera ser estratégico para vencer as eleições. O que se pode considerar ser uma verdade.

O programa poderá catapultar novamente o MPLA para uma vitória no próximo pleito, por estar aproveitar-se do tempo que resta para a realização do voto. Com um programa diferente e que garante mudanças, o MPLA goza de poderia para exercer influência nas pessoas e mudar como as pessoas concebem o partido. Tudo dependendo da sua materialização.

Embora se possa ter “visões” escuras do partido no poder, no ponto de vista de liderança, o programa aduzido apresenta-se capaz de transformar e tornar irreconhecível a governação de Angola, desde que o seu candidato tome as devidas medidas de saneamento das estruturas do partido, visando solidificar os planos que o partido sempre teve.

Um programa flexível que apresenta a resolução necessária e obrigatória dos vários problemas que enfermam a sociedade angolana, tais como a energia, água, agricultura, habitação, ensino e saúde, oferece certamente um desafio irrefutável para as outras forças políticas do país.

Um dos pontos que considero ser imprescindível e que permitiria devolver a ordem e separação de poderes, é o aprofundamento no que concerne ao tratamento do quadro jurídico de responsabilização, tanto de natureza penal como civil, bem como a tomada de medidas punitivas aos cidadãos que insistirem em práticas que lesem o Estado e os superiores interesses da Nação.

No programa de governo para o período de 2017-2022, o MPLA assume a missão de garantir o fortalecimento, a modernização das Forças Armadas e dos Serviços de Inteligência e Segurança do Estado, mediante a valorização dos recursos humanos, equipamentos e infra-estruturas.

A promoção ao desenvolvimento de uma sociedade democrática, participativa e social, passível de construir um ambiente aberto ao diálogo e de sã convivência entre os cidadãos, sem discriminações e estável passa, por um lado, pelas garantias dos Direitos fundamentais e que se considerem invioláveis.

Assim se pode esperar um programa igual ou melhor por parte da oposição, por se considerar gozarem de muito tempo para elaborarem programas que possam ser melhor aproveitados do ponto de vista governativo.

Uma vez que o MPLA, visivelmente, soube fazer proveito de programas anteriores dos partidos políticos para erguer a sua estratégia de “combate”.

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