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Será que tem glaucoma?

Maria Inês Rodrigues

Maria Inês Rodrigues é licenciada em Medicina pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Actualmente coordena o Departamento de Oftalmologia do Luanda Medical Center.

O glaucoma é uma doença silenciosa, sem sintomas, que afecta o nervo óptico, causando, em última instância, a cegueira total e irreversível. Contudo, através de um diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível evitar as suas graves consequências.

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Estima-se que o glaucoma afecte mais de 70 milhões de pessoas em todo mundo, em particular adultos com idade superior a 40 anos nascidos em África. É importante referir que apenas metade das pessoas com glaucoma tem consciência de que tem a doença. O glaucoma é responsável pela cegueira de 4,5 milhões de indivíduos em todo o Mundo.

O principal factor de risco para desenvolver esta doença é a pressão intraocular elevada, que deve ser avaliada pelo oftalmologista. No entanto, uma pressão intraocular elevada não significa necessariamente um maior risco de glaucoma, uma vez que os níveis tensionais tolerados variam de pessoa para pessoa. Da mesma forma, pode acontecer a doença desenvolver-se com valores tensionais dentro dos limites considerados normais.

Para além disso, o glaucoma é uma doença que apresenta predisposição familiar, ou seja, familiares de uma pessoa com glaucoma têm um maior risco de vir a desenvolver a doença.

É importante referir que o risco de ter glaucoma aumenta, também, com a idade: quanto mais avançada for, maior  é o risco de desenvolver a doença.

O diagnóstico de glaucoma é feito pelo oftalmologista através de uma cuidadosa observação clínica associada a alguns exames complementares de diagnóstico. 

A observação clínica deve incluir a avaliação das acuidades visuais, a tonometria de aplanação (que determina com precisão a pressão intraocular) e a fundoscopia (midriática ou não). Os exames geralmente realizados são a retinografia, a perimetria estática computorizada, a paquimetria e o OCT (Ocular Coherence Tomography).

O tratamento do glaucoma é possível, mas a cura não. O tratamento da doença é diário e visa baixar a pressão intraocular, através de colírios, em associação ou não com medicação oral. Quando não é feito o tratamento, a pressão intra-ocular sobe novamente, pelo que tem de ser feito de forma rigorosa.

Em casos seleccionados, resistentes à terapêutica instituída, pode ser necessário recorrer a cirurgia.

A perda de visão decorrente do glaucoma é irreversível, não podendo ser recuperada de nenhuma forma.

Se apresenta factores de risco para desenvolver glaucoma, deverá fazer um rastreio com um oftalmologista. Não se esqueça que o glaucoma é uma doença silenciosa, e até fazer o rastreio não saberá se tem ou não a doença. Deve informar igualmente os seus familiares e amigos a proteger a sua visão, encorajando-os a fazer um rastreio se se incluírem num dos grupos de risco supra mencionados.

Se por outro lado tem glaucoma, deve assegurar-se que faz a medicação prescrita de forma regular, de acordo com as indicações do médico oftalmologista. Deve ser observado por ele regularmente e, possivelmente, terá de realizar exames de forma periódica.

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Maria Inês Rodrigues