Joana Castro: “Apaixonei-me de imediato pela cultura angolana”

Nasceu na cidade berço de Portugal, Guimarães, e foi lá que conheceu a paixão pela moda. Joana Castro é criadora há cerca de quatro anos, mas a inspiração está-lhe no sangue desde sempre. Um dia ainda pensou em ser psicóloga, mas paixão pela moda falou mais alto. Em Angola sente-se em casa, talvez por isso viva dividida entre os dois países. Com um atelier em Luanda e outro em Portugal, Joana Castro garante que o desafio de trabalhar com culturas tão diferentes é algo que não a assusta. Pronta a conquistar de vez a mulher angolana, a estilista participou na edição deste ano do Moda Luanda onde apresentou a colecção “África Minha”.
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Fale-me um pouco de si. Onde cresceu, como foi a sua infância…

Acabei de fazer 30 anos. Aquela idade em que penso que todos acabamos por parar um pouco e reflectir sobre a nossa vida! Eu acabei por fazer isso e encontrei uma paz de espirito muito grande.

Cresci numa base familiar que tem como palavra de ordem a união, o amor sempre foi uma constante no meu crescimento. Penso que isto fez de mim uma pessoa carinhosa em luta pela felicidade. Considero‐me uma pessoa batalhadora, não desisto, não baixo os braços por mais dificuldades que encontre. Cresci numa das cidades mais bonitas de Portugal, Guimarães, onde todos se conhecem e onde a inspiração, a criação, a arte estão no sangue da cidade onde nasceu Portugal! Eu cresci dessa forma, com tranquilidade, amor, paz, união num sítio onde se respira cultura!

Qual é a sua ligação a Angola?

A minha ligação com Angola surge quando criei uma parceria com o grupo angolano, J&S, o que fez com que pudesse conhecer o povo angolano e apaixonar‐me de imediato pela vossa cultura. Confesso que no início estava um pouco nervosa com a reacção da mulher angolana às minhas criações, mas o feedback foi tão positivo que automaticamente senti‐me em casa.

Há quanto está no mundo da moda?

Comecei recentemente, há quatro anos, quatro anos de amor e dedicação. Luto muito, todos os dias dedico‐me a 100 por cento a esta paixão. Como costumo dizer, a minha cabeça não pára nem para dormir.

Era um sonho de criança ser designer de moda?

Sem dúvida, eu comecei por me licenciar em Psicologia mas o sonho que me acompanhava desde criança falou mais alto. Eu sou daquelas pessoas que diz: “segue o teu sonho, se for genuíno vais vencer”, ou seja, se formos verdadeiros e lutadores o sonho torna‐se real. Há tanta gente com tantos talentos!

Como foi o seu percurso até chegar aqui?

Foi de forma espontânea. Comecei por vestir mulheres angolanas no meu atelier em Guimarães e rapidamente cheguei cá. Eu penso que isso aconteceu porque as minhas criações tiveram impacto na mulher angolana, a minha textura, o meu corte, o meu desenho identificava‐se com cada mulher que vestia, desde então percebi que poderia entrar em Angola.

Apresentou recentemente a sua colecção, “África Minha”, no Moda Luanda 2015. Como foi a experiência?

A minha participação no Moda Luanda foi sem dúvida uma experiência marcante.

Desenvolvi para esta colecção o tema “África Minha”, ou seja, o envolvimento com o país foi mais forte, mais intenso. O facto de estar no meio de estilistas angolanos e perceber como é a moda em Angola fez com que esta experiência fosse bastante enriquecedora.

De que forma é que as vivências africanas estão presentes nesta colecção?

Nesta colecção procurei encontrar um equilíbrio entre as vivências africanas com o padrão e a forma. Escolhi temas como o deserto, a capulana, a pedra preciosa malaquita, as tonalidades quentes do continente para criar padrões originais. Os meus “prints” são inspirados neste continente e transportados para texturas como a seda e o algodão.

A Joana procura valorizar a silhueta feminina nas suas criações. Esta é uma das suas imagens de marca?

Sem dúvida que valorizar a silhueta feminina é sinonimo de Joana Castro. Procuro sempre em cada criação valorizar a silhueta feminina porque automaticamente criamos a elegância na mulher e sem dúvida que uma mulher elegante é o melhor que posso ver quando se fala de moda!

Tem um atelier em Luanda e outro na cidade portuguesa de Guimarães. Vive dividida entre Angola e Portugal?

Sim, quando se faz o que se ama tudo se torna bem mais fácil! Ter dois ateliers em continentes diferentes não me assusta, até pelo contrário, o desafio acresce porque trabalhamos com culturas diferentes. Contudo, trabalho muito bem à distância, o que facilita quando precisamos de satisfazer uma cliente de um dia para o outro.

São dois países muitos diferentes quando o assunto é moda?

Não, a moda é um estado de espírito. Eu estudo a personalidade de cada cliente para identificar de imediato qual a forma de introduzir as minhas criações. Claro que falamos de culturas diferentes e automaticamente de formas diferentes de usarmos um “outfit” mas a moda é mesmo isto, a construção de “outfits” definidos pelas nossas vivências.

Já está a trabalhar na próxima colecção? Qual é a inspiração desta vez?

Sim, a próxima colecção já esta a ser construída e posso dizer que não deixei por completo o continente africano! A inspiração nesse continente é uma constante para mim.

Quais são os seus grandes projectos para 2015?

Os meus grandes projectos são sempre continuar a fazer moda, a criar, sempre mais e melhor. Para 2015 tenho uma boa novidade que não posso revelar de imediato, contudo terei o maior gosto em conversamos mais à frente!

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