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Energia

Mais transparência e competitividade no país aumentou interesse dos investidores, considera CEA

O representante da Câmara de Energia Africana (CEA) em Angola considerou à Lusa que os investidores internacionais olham para o país com interesse devido às reformas que melhoraram a transparência, competitividade e abertura a investimento externo.

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"Há uma evolução positiva segundo a reacção do mercado. Depois de muitas medidas tomadas pelo novo Presidente, os investidores olham com outros olhos, especialmente na questão da transparência, competitividade e da abertura em termos de possibilidade de novos investimentos", disse Sérgio Pugliese, em entrevista à Lusa em Lisboa.

"As mudanças feitas nos últimos dois anos transmitem a ideia de uma Angola aberta para investimento, para a diversificação, e na indústria petrolífera houve grandes investimentos na refinação, na área do armazenamento", acrescentou, apontando os exemplos da parceria entre a Total e a Sonangol nas bombas de gasolina, os investimentos da ENI na procura de novos poços petrolíferos e o desenvolvimento de projectos de energia renovável.

Para o representante da CEA, uma organização dedicada à promoção do investimento em África na área energética, a pandemia da covid-19 vai originar grandes mudanças a nível mundial e Angola terá de adaptar-se.

"Haverá uma grande mudança no mundo, a nível de comportamento e especialmente na indústria energética está a haver um grande ajuste e Angola tem aqui uma grande oportunidade para readaptar-se e ter um desfecho positivo", disse o responsável.

A CEA organizou, no ano passado, uma conferência destinada a atrair investimento externo para o país, prevendo a segunda edição para Junho, mas teve de adiar para Outubro devido às condições actuais.

"Recebemos uma reacção positiva do Governo quando pedimos para adiar para Outubro, e o grande objectivo é atrair investimento, queremos ajudar o Governo a reabrir Angola como local de investimento e é por isso que trazemos os investidores ao país, para falarem com as autoridades", explicou Sérgio Pugliese.

Questionado sobre se a forte descida na procura de petróleo vai ter influência nas decisões de investimento das petrolíferas em Angola, o responsável desvalorizou a questão, lembrando que estas grandes empresas estão habituadas a operar num ambiente cíclico.

"A indústria está habituada a ciclos, com quebras de preços por razões políticas, de saúde, ambientais, portanto já têm estratégias definidas para acomodar estas situações; houve uma grande redução dos projectos de desenvolvimento de exploração e mantém-se o investimento para garantir a robustez da produção", explicou.

Em Angola, apontou, "o impacto nesta fase não é assim tão grande" porque os investimentos demoram o seu tempo.

"Houve várias reformas nos últimos dois anos que atraíram investimento para a exploração, houve um concurso para licitação de blocos petrolíferos que surgiu da reforma da agência nacional do petróleo e gás e estas actividades demoram o seu tempo natural, os investimentos demoram anos e por isso nesta fase o impacto não é grande", considerou.

Sobre o concurso de privatização parcial da Sonangol, Sérgio Pugliese admitiu que seja adiado para o próximo ano, mas considerou que isso não é preocupante, podendo até dar hipótese à petrolífera nacional angolana para valorizar os activos antes de os vender.