Portugal e UE vão agir com urgência para combater efeitos da seca no sul

A União Europeia (UE) e Portugal vão avançar rapidamente com ajuda, no terreno, para mitigar os efeitos da seca severa que atinge o sul, disse na Quarta-feira o presidente do instituto Camões, entidade que gere o projecto.
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Falando à agência Lusa e à RTP África em Luanda, no final de uma visita de dois dias a Angola, o presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, Luís Faro Ramos, adiantou que, após reuniões com as autoridades angolanas, foi decidido avançar com o processo em três frentes - acessos a pontos de água, criação de infra-estruturas para a vacinação do gado e a própria vacinação dos animais.

"Foi decidido, em conjunto, tomar algumas ações muito rapidamente, a muito curto prazo, em três áreas na emergência em relação à seca que está a assolar o sul de Angola, medidas que têm a ver com acesso aos pontos de água, a criação de infraestruturas para a vacinação do gado e a própria vacinação do gado. São ações que vão ter uma contribuição financeira por parte do projeto que é gerido pelo instituto Camões", afirmou Faro Ramos.

Portugal está a gerir um programa da UE dirigido à Agricultura em Angola no valor de 48 milhões de euros, que incidirá sobretudo nas três províncias angolanas mais expostas às alterações climáticas, em que a ideia é, além de mitigar aquelas consequências, proporcionar garantias de subsistência na agricultura familiar.

O programa é financiado em 60 milhões de euros pela UE, em que 48 milhões são destinados à agricultura e que serão centrados naquelas três províncias do sul, visando também apoiar a agricultura familiar, criar condições de vida e sustentabilidade agrícola e, ao mesmo tempo, concorrer para o combate às alterações climáticas, apoiando cerca de 285.000 famílias já afectadas.

Sobre o programa de emergência financiado pela UE e executado por Portugal, o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária angolano, José Carlos Bettencourt, considerou-o "extremamente importante" para ajudar a mitigar as consequências da grave seca que está a afetar populações e o gado, sobretudo de água e alimentação.

"As populações locais estão a atravessar um momento difícil e o Ministério da Agricultura está a tentar conciliar as várias questões - água potável para a população, abeberamento e alimentação para o gado - a que se junta também a da construção de infraestruturas e vacinação", sublinhou.

Na terça-feira, o presidente angolano aprovou um pacote financeiro de 200 milhões de dólares para solucionar os "problemas estruturantes" ligados aos "efeitos destrutivos" da seca que assola sobretudo a província do Cunene.

João Lourenço ordenou a construção de um sistema de transferência de água do rio Cunene, que partirá da localidade de Cafu até Shana, nas áreas de Cuamato e Namacunde, no valor de 80 milhões de dólares.

Um segundo projeto prevê a construção de uma barragem na localidade de Calucuve e o seu canal adutor associado, num custo global de 60 milhões de dólares, no seu correspondente em moeda nacional.

O Presidente destinou também 60 milhões de dólares para a construção de uma outra barragem e o respectivo canal adutor, na localidade de Ndue.

A 26 de Fevereiro último, o vice-governador da província do Cunene, Édio Gentil José, decretou o "estado de calamidade" devido à seca, que continua a afectar mais de 285.000 famílias, pedindo a Luanda mais apoios e a definição de estratégias para mitigar o fenómeno.

Sobre a decisão do chefe de Estado, José Carlos Bettencourt salientou o facto de as medidas serem "estruturantes", de forma a que se possa resolver, de vez, os problemas da seca no sul.

"O problema da seca no sul de Angola é constante, é permanente, não por falta de água, mas porque essa água está mal distribuída ao longo do ano. O que temos de fazer é aproveitar a pouca água que temos da melhor maneira possível. O projecto poderá levar a que, de uma forma quase que definitiva, se resolva a situação de água nessas três províncias, particularmente no Cunene, que é a situação mais crítica que temos", disse.

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