A Opinião de Janísio Salomão

Paz, crise e diversificação 16 anos depois


Paz, crise e diversificação 16 anos depois

Janísio Salomão

Mestre em Administração de Empresas, Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas

São passados 16 anos desde que Angola alcançou a Paz depois de quase três décadas de conflito armado em que o país esteve imbuído, conflito este, que a acabou por dilacerar o país de Cabinda a Cunene, do Mar ao Leste, dizimou grande parte da força activa, recursos humanos e contribuiu significativamente para a degradação de grande parte do tecido empresarial e industrial que existia no País no período pós-independência (1975-2002).
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PAZ

O mês de Abril constitui um marco memorável em Angola e, sobretudo na economia angolana, pois é o início de uma longa trajectória  em que se verificaram momentos áureos e difíceis para o país.

Indubitavelmente, a "PAZ" permitiu a reconstrução do país, circulação de pessoas e bens, construção de infra-estruturas como: escolas, hospitais e estradas, mas parte considerável desta infra-estrutura foi construída com qualidade precária, para tal, basta olharmos para o estado de conservação em que elas se encontram volvidos 16 anos.

A ausência de manutenções constitui também um factor indutor no estado avançado de degradação das infra-estruturas edificadas depois de alcançada a Paz.

CRISE

Desde 2014 que Angola vive uma crise profunda, apregoa–se que a génese da mesma seja a queda do preço do barril do petróleo, a principal commodity que compõe a Balança Comercial Angolana, representando mais de 90 por cento das exportações angolanas e mais de 60 por cento das receitas fiscais, embora saibamos nós que está situação não é a principal causa da crise que o país vive, existe para dar aludida a outros problemas que enfermam a economia de Angola, como é o caso da "Corrupção", e o Presidente da República João Lourenço, foi peremptório em suas abordagens, ao reconhecer que a "corrupção constitui um dos principais males que enfermam a economia angolana".

A "CRISE" afectou o crescimento da economia angolana, apontado por muitos como "ilusório", uma vez que, esteve sempre ancorado ao preço do petróleo. Desde 2014 que o crescimento da economia não conseguiu superar a taxa dos 2,8 por cento, sendo que em 2017 se verificou um crescimento quase nulo, enquanto a taxa de crescimento da população esteve acima dos 3 por cento. O recomendável é que o crescimento da economia seja sustentável do ponto de vista de prover bens e serviços necessários para a população.

DIVERSIFICAÇÃO

Se fossemos a contabilizar quantas vezes a palavra "DIVERSIFICAÇÃO" foi pronunciada não conseguiríamos contabilizar. Falamos tanto, criamos tanto, programas e planos, mas o facto é que, volvidos 16 anos, nada foi efectivamente feito para garantir a diversificação da economia angolana.

A economia continua num estágio de mono-produção e mono-exportação. Para tal basta olharmos para os valores atribuídos aos os sectores considerados a pedra angular da diversificação, como é o caso da Agricultura e Indústria, onde desde 2014 que os recursos alocados não atingem a fasquia dos 2 e 3 por cento do PIB, respectivamente.

Já dizia o saudoso Dr. Agostinho Neto: "A agricultura é a base e a indústria, o factor decisivo". Infelizmente, pouco fazemos e continuamos a fazer para que a diversificação da economia seja um facto.

Com a queda livre em que se encontram as Reservas Internacionais Líquidas (RIL), que passaram de 34 mil milhões de dólares para 12 mil milhões de dólares de 2014 a 2018, aproximadamente, a "consolidação da diversificação tornou-se uma miragem em Angola", pois não conseguimos divisas suficientes para importar as máquinas, equipamentos e peças sobressalentes de que o país necessita.

Sem Agricultura e sem a consolidação da Indústria, a economia angolana torna-se vulnerável e cada vez mais dependente do exterior.

Parece mesmo que, volvidos 16 anos de "PAZ", a "CRISE" veio adiar o sonho da "DIVERSIFICAÇÃO" da economia angolana sine die.

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