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Opinião A opinião de...

A gestão de riscos no sector da distribuição em Angola

Michel Pedro

Gestor

O sector do comércio e distribuição foi, nos últimos anos, um dos que mais cresceu em Angola, com o surgimento de superfícies comerciais que devido às suas dinâmicas geram um grande fluxo de informações que carecem de tratamento adequado e suas actividades têm que estar conforme às leis do país e normas directivas.

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Ao contrário do que se pode pensar, o sector do comércio e distribuição é um grande alvo de fraudes, uma vez que a actividade implica a geração de um intenso fluxo de informações e, consequentemente, a necessidade de haver boa gestão e segurança de dados e cumprimento de leis e normas, a imperiosa necessidade de haver o compliance.

Dada a dinâmica que caracteriza o sector do comércio e distribuição, a implementação do compliance terá sucesso com o auxílio de um canal capaz de gerir todas essas informações de maneira rápida, precisa e, o principal, segura.

Em Angola, profissionais e plataformas/instituições que oferecem soluções de compliance parecem estar mais preocupados com a banca do que com outros sectores da economia real. Reconhece-se a sensibilidade da banca, mas as "baterias" não podem estar todas viradas para ela, pois num mundo informatizado como o nosso, o comércio e distribuição corre os mesmos riscos que a banca.

Embora em menor escala, já começam a surgir no país iniciativas bem interessantes sobre a prevenção de fraudes na distribuição. Pois, mitigar riscos de fraudes, estabelecer um ambiente mais controlado e reduzir perdas se mostra como um dos objetivos em comum de áreas como Prevenção de Perdas, Riscos Controles Internos, Compliance e Segurança.

Ao implementar programas antifraudes e gestão de riscos financeiros e reputacional, que pode ser mais grave, recorrendo às ferramentas adequadas é fortalecer o sistema de controlos internos e a organização do fluxo de dados dos agentes que operam no sector da distribuição, de forma que as leis sejam cumpridas e as perdas financeiras possam ser minimizadas e, consequentemente, extintas.

Riscos do sector, prevenção e gestão

A má gestão da informação combinada com o incumprimento de leis e normas constituem factores causadores das perdas no sector da distribuição que podem atingir milhões de kwanzas. Este número pode triplicar se considerarmos outros fatores que originam as perdas, tais como:

  • Fornecedores;
  • Fraudes, como a lavagem de dinheiro;
  • Furtos externos que são feitos por pessoas não ligadas à empresa directamente como fornecedores e transportadores;
  • Furtos internos realizados pelos próprios funcionários da empresa;
  • Erros administrativos, como falha no cadastro de produtos.

Olhando bem para o sector, é possível afirmar que as fraudes já são conhecidas, mas as respostas para mitigar tais acções são quase que obsoletas.

Algumas acções fraudulentas: (I) o Desvio de Sangria - as retiradas programadas de dinheiros dos caixas por funcionários do setor; (II) a Adaptação/troca de PIN PAD – Assim chamada é a máquina utilizada para efectivação de transação com uso de senha; (III) Componentes subtraídos de equipamentos - Nesta prática, o fraudador abre a embalagem de determinado produto no interior de uma loja e subtrai para si uma peça daquele mesmo produto, seja um pino, suporte, acessório qual seja.

Num país como Angola, caracterizado por alto custo de vida, até para quem tem um emprego, a distribuição é um campo fértil quanto as oportunidades para prática de desvios.

Com base nos três princípios que norteiam a atuação do compliance: (i) prevenção, (ii) deteção e (iii) resposta, a implementação de programas antifraudes cria sinergias com as áreas de Prevenção de Perdas e Gestão de Riscos.

Esses mecanismos de "integridade e sistemas de compliance" tornaram-se cruciais para as empresas que desejam a sustentabilidade e perenidade no mercado. Mais do que a protecção frente aos riscos existentes, eles impulsionam as empresas a assumirem mudanças na estrutura interna e um papel central na mudança da cultura do país.

Entretanto, a Gestão de Riscos deve fazer parte da agenda dos executivos do sector, a apoiar e investir em controlos para que áreas como prevenção de perdas, riscos, auditoria, compliance e segurança possam continuar a dar suas importantes contribuições para uma distribuição com resultados cada vez mais consistente.

Opinião de
Michel Pedro