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ONG denuncia aumento de violência doméstica devido à quarentena

A Organização Não-Governamental "Observatório do Género" apelou esta Segunda-feira à Polícia Nacional para que disponibilize um contacto para a denúncia de casos de violência doméstica, devido ao aumento registado em tempo de isolamento social devido à Covid-19.

: André Pereira/Lusa
André Pereira/Lusa  

Segundo a directora executiva do Observatório do Género, Delma Monteiro, desde o início do confinamento a ONG está a realizar a campanha "Quarentena sem violência".

"Começou no período de quarentena e está a continuar agora neste período de isolamento social. Nós queremos apelar a menos violência e também à polícia para disponibilizar um número de emergência para as vítimas poderem ligar", disse Delma Monteiro, em declarações à agência Lusa.

Na semana passada, foram registadas quatro denúncias de situações de violência doméstica, através das redes sociais, em que as vítimas foram mulheres e crianças.

Delma Monteiro referiu que estão a acontecer muitas situações de violência, "porque as pessoas estão em casa e, na verdade, as famílias não estão habituadas a gerir as tensões familiares do lar".

"As pessoas chegam a casa depois de um dia cansado de trabalho, as crianças estão de um lado a fazer as tarefas, a esposa está sempre conectada às tarefas domésticas e o marido está a assistir ao telejornal. Agora que não têm as domésticas em casa, agora que as crianças não estão a ir para a escola, há uma tendência de se descarregar a pressão no mais fraco, que normalmente são as crianças e as mulheres", acrescentou.

"O homem já não está muito satisfeito de estar de manhã até à noite em frente à televisão, ter que ouvir os gritos das crianças, porque a criança não pode ir para a rua para não se expor, a esposa ter que estar a lidar com todas as questões do lar, a limpeza, cozinha e tudo o resto, ficando também saturada", descreveu a activista especializada em questões do género.

Então, segundo Delma Monteiro, isso está "a fazer explodir a violência, porque as pessoas não aprenderam a lidar com as tensões do lar e a rua sempre foi um escape".

"Queremos fazer um apelo à Polícia Nacional para disponibilizar um número de vítimas à violência doméstica, que estão a ser maioritariamente mulheres e crianças, que estão a sofrer violência em casa com os esposos e que não têm como ser socorridas", acrescentou.

Delma Monteira acredita que, com esta nova realidade, há muitas pessoas que vão conseguir conviver, reconstruir as suas relações familiares, "redesenharem-se", mas há também uma grande possibilidade, como se está a verificar em outros países, como o Brasil, de aumentar o número de divórcios e de famílias afastadas.

"Acho que era importante termos em mente que, de facto, há toda uma problemática em torno da situação de confinamento que deve ser acautelada", sublinhou.

O país vive desde Sexta-feira em estado de emergência prorrogável, que se estende até 11 de Abril, com a interdição de pessoas e viaturas na via pública e horário específico para venda de bens alimentares, entre as medidas.