Grupo Nabeiro quer construir nova fábrica de café no país

O empresário Rui Nabeiro, com negócios em Angola desde antes da independência, disse à Lusa, que o seu grupo empresarial, já com uma empresa naquele mercado, quer avançar com a construção de uma nova fábrica de café no país.
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"Em Angola queremos estar no mundo do café verde e a trabalhar na sua valorização como produto", afirmou o empresário em entrevista à Lusa.

Para isso, explicou Rui Nabeiro, fundador do Grupo Nabeiro, líder no mercado do café em Portugal e já com a AngoNabeiro no mercado angolano, "a ideia é fazer uma nova fábrica", porque para valorizar o café de Angola, de "grande qualidade e muito desejado no mundo", é necessário esse investimento.

"Isso não dá para fazer na unidade que temos actualmente em Angola", acrescentou.

O projecto da nova fábrica "já está no portefólio do grupo, para que este possa responder" quando o país começar a produzir mais café.

Neste momento, o país "ainda produz pouco", sublinhou o empresário.

Quanto à localização para a nova unidade industrial e valores de investimento, Rui Nabeiro diz que não pode avançar com nada neste momento, porque o projecto "precisa de se desenvolver".

Por enquanto, tem uma certeza: "Vai avançar, isso vai. Quando vai ser, ainda não lhe posso dizer, temos que saber no nosso investimento com o que podemos e não contar. Agora, para criarmos o café verde como um produto que é realmente valioso temos, e é aconselhável, criarmos uma planta que possa, além da fábrica já existente, servir para nós próprios e para o mercado externo", adiantou.

"Estamos na perspectiva, face à evolução que o país está a dar neste momento com o novo governo, de renascer o café de Angola. Porque Angola tem café, mas é pouco café, e estou convencido que levando pessoas ao campo, à província, ao interior, o que vai realmente acontecer, a produção vai aumentar", sublinhou.

Quando isso acontecer, o grupo Nabeiro, líder no mercado dos cafés em Portugal, está preparado para investir milhões.

"Estamos preparados para investir em milhões, porque precisamos de ter máquinas em condições para ser competitivos no mercado internacional, que tem tido nos cafés uma evolução enorme, e para se fazer um bom trabalho com o café de Angola, um café muito desejado em todo o mundo, por ser muito saudável, com muita qualidade", afirmou em entrevista à Lusa.

"Iremos fazer uma empresa que prepare bem os cafés e dê apoio à agricultura, aos fazendeiros, a quem realmente está no campo. Nós não queremos ocupar esse espaço, de forma nenhuma. Nós queremos ocupar o espaço da comercialização e da industrialização, para que esse produto tenha uma evolução, que o mercado de Angola neste momento não tem bons cafés, cafés lavados, cafés polidos e que saiam dali seleccionados pelo seu tipo de café".

O que o grupo está a fazer, diz o empresário, é "a prever o futuro, porque Angola ainda não permite uma fábrica a sério, mas temos uma marca, que também tem estado a ser vendida em mercados vizinhos, que neste momento ainda não têm um grande poder de compra, mas que sabemos que as coisas em África tendem a melhorar. Tenho a certeza absoluta".

Para Rui Nabeiro, com 86 anos, o futuro "é amanhã".

"Tenho a família toda preparada com ambição" para o mercado nacional, até porque Angola "foi sempre o ponto de partida para nós", disse.

Angola já foi o quarto maior produtor mundial de café, com 200 mil toneladas anuais, antes de 1975. Essa produção está agora reduzida a menos de cinco por cento, fruto do abandono do cultivo durante a guerra civil que se seguiu à independência.

As empresas do sector estimam que o país produz actualmente cerca de 3000 toneladas de café - embora números oficiais apontem para 15.000 - e só a Angonabeiro comprou em 2014, a cerca de 20.000 produtores de várias províncias, 800 toneladas, o maior registo até então. No ano anterior conseguiu adquirir 600 toneladas e em 2012 apenas 500.

A Angonabeiro anunciou em 2015 o investimento de um milhão de dólares na aquisição da totalidade do capital da empresa pública de produção de café Liangol, cuja gestão já assegurava há 14 anos.

Desde 2001 que a empresa do grupo português assumia a gestão da fábrica da Liangol, depois de garantir também a sua reabilitação e modernização, tendo em conta que estava desactivada desde 1984.

A empresa ocupa uma área de quatro hectares, com uma zona de armazenamento, torra e embalagem de café, onde o grupo Nabeiro assegura a produção e comercialização de 250 toneladas do café da marca própria Ginga, que lidera destacada as vendas no país.

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