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Política

Luta contra corrupção “beneficia relações com Alemanha”

A analista Lisa Steinbacher, da associação alemã Afrika Verein, defendeu que as “enormes reformas” que Angola tem levado a cabo, nomeadamente no combate à corrupção, são positivas e beneficiam as relações com a Alemanha.

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Angela Merkel, que visita Luanda na Sexta-feira, onde será recebida pelo Presidente João Lourenço, vai viajar acompanhada de uma delegação de empresários. De acordo com a imprensa alemã, fazem parte da comitiva representantes dos setores da energia, serviços financeiros, transporte, logística, segurança e construção.

“O facto de a chanceler viajar com uma delegação empresarial de alto nível mostra a crescente importância da cooperação económica com o continente africano e realça o interesse das empresas alemãs em Angola”, sustentou Lisa Steinbacher, em declarações à agência Lusa.

De acordo com a responsável pela área política e de comunicação da associação das empresas alemãs com negócios em África, Angola empreendeu “grandes esforços de reforma desde o início da presidência de João Loureço, inclusive na área da corrupção”.

“Estes esforços de reforma são positivos e vantajosos para o fortalecimento das relações económicas entre a Alemanha e Angola”, realçou.

A Alemanha foi o sétimo maior investidor em África entre 2014 e 2018, de acordo com os dados da consultora EY, apresentados no mais recente relatório sobre a Atractividade do Investimento em África.

Nestes cinco anos, os últimos para os quais há dados completos compilados, as empresas alemãs lançaram 180 projectos, no valor de 6,8 mil milhões de dólares, e criaram 31.562 empregos.

Na opinião de Lisa Steinbacher a energia pode ser um tema central na visita da chanceler alemã a Angola.

“Angola pode ser um novo membro da iniciativa ‘G20 Compact with África (CwA), iniciada sob a presidência alemã do G20 em 2017. Nesse contexto, poderia haver uma estreita cooperação no sector da energia”, considerou.

“Por um lado, a tecnologia alemã já ajudou muito em projectos hidroeléctricos. Por outro lado, pode também falar-se sobre a produção de hidrogénio em Angola, já existe um terminal de GNL (gás natural liquefeito) que pode ser usado para exportar gás verde”, adiantou.

A responsável da associação Afrika Verein acredita que a viagem de Angela Merkel a Angola pode dar um novo impulso e “aguçar a visão das oportunidades económicas na África como um todo”. Existem cerca de 25 empresas alemãs a operar em Angola. “As empresas alemãs estão muito interessadas em expandir as suas atividades na terceira maior economia da África subsaariana”, frisou, acrescentando ainda assim, que “ainda é difícil para as médias empresas alemãs ganharem uma posição em Angola.”

“Isso deve-se em parte à emissão restritiva de vistos e autorizações de trabalho, mas também à discrepância entre as condições da estrutura legal e às práticas comerciais. É importante negociar rapidamente um acordo de dupla tributação entre Angola e Alemanha”, salientou.

Angela Merkel chega na Sexta-feira a Luanda onde deverá, entre outros pontos da agenda, reunir-se com o Presidente João Lourenço, assinar vários acordos de cooperação e participar no fórum económico Alemanha-Angola.