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Universidade Agostinho Neto não reconhece legitimidade aos estudantes que anunciaram queixa

A Universidade Agostinho Neto, a maior do país, disse esta Quinta-feira não reconhecer "qualquer legitimidade" ao Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), que vai avançar com uma queixa-crime contra a instituição, recusando "prestar contas a movimentos de rua".

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"Não reconhecemos o MEA como entidade credível ou a quem nós tenhamos de prestar alguma informação ou contas. Somos a instituição de ensino superior mais importante do país e não nos relacionamos com pessoas que não têm nível para se apresentarem como inspectoras ou a quem devemos prestar contas", afirmou à Lusa Arlindo Isabel, porta-voz da Universidade Agostinho Neto (UAN).

Segundo o responsável, o Movimento dos Estudantes Angolanos "não tem qualquer legitimidade" para questionar o funcionamento da UAN e "qualquer comparação com essas pessoas ou associação é um mero despropósito que visa infantilizar a universidade e o ensino superior".

A Universidade Agostinho Neto tem disponíveis 5310 vagas para o ano académico 2020, mais 215 que no ano anterior, e as inscrições que se iniciaram em 2 de Janeiro decorrem até sábado, 11 de Janeiro de 2020.

O Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) anunciou na Quarta-feira que vai avançar com uma queixa-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a universidade por "cobrança ilegal de emolumentos" e "falta de prestação de contas".

Arlindo Isabel recorda que sobre o "assunto inscrições", a direcção da UAN recebeu, em 2019, "como cidadãos normais" os membros do MEA, tendo sido esclarecido que o processo de inscrições e exames de acesso à universidade "não é financiado pelo OGE" (Orçamento Geral do Estado).

"É um processo auto sustentado pelas taxas cobradas aos candidatos. Por outro lado, o MEA ou essas pessoas têm dificuldades de conceitos entre candidatos e estudantes da UAN e estamos apenas a lidar neste momento com candidatos e não com estudantes", adiantou.

E, acrescentou: "Pensamos que há aqui uma crise de racionalidade por parte desses indivíduos que não cabe. Somos uma instituição credível e não prestamos contas a qualquer movimento de rua como é o MEA".

Quanto à queixa-crime junto da PGR, o também director do gabinete de Informação Científica e Documentação da UAN referiu que a instituição está tranquila, argumentando que o MEA "não recebeu qualquer procuração dos encarregados de educação para representarem os candidatos".

Para as inscrições aos 45 cursos ministrados nas nove unidades orgânicas da instituição o candidato deve pagar 4000 kwanzas para uma opção ou 6000 kwanzas para duas, cobranças que o MEA considera "ilegais devido ausência de um diploma que as regularize".

Para Arlindo Isabel, o MEA não tem igualmente legitimidade de questionar a legalidade das cobranças dos emolumentos, acrescentando que os membros do Movimento "são cidadãos livres e o direito à ignorância é um direito humano".

"E ninguém pode ser processado por ser um ignorante", rematou.

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