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Cedesa: comércio externo de Angola com África pode crescer 25 por cento até 2031 com zona de livre comércio

A Cedesa, entidade que analisa assuntos de Angola, defende que o comércio externo do país com África pode crescer 25 por cento até 2031, com a Zona de Comércio Livre Africana, se investir em infra-estruturas e tiver políticas adequadas.

: Lusa
Lusa  

"Não havendo dúvidas que a inserção numa zona de comércio livre aumenta o comércio externo de um país, tal deverá acontecer em Angola, apontando-se, face aos dados das Nações Unidas, para um reforço em pelo menos 25 por centodo comércio externo com a restante África até 2031", afirma aquela entidade, que resulta de uma iniciativa de vários académicos e peritos que se encontraram na ARN ('Angola Research Network').

Numa análise, os académicos explicam que uma modelagem recente da Comissão Económica das Nações Unidas para a África (UNECA) projecta que o valor do comércio intra-africano seja entre 15 por cento e 25 por cento mais alto em 2040, devido à Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).

Além disso, o documento da Nações Unidas estima que os países menos desenvolvidos experimentem o maior crescimento no comércio intra-africano de produtos industriais, até 35 por cento.

A estimativa da Cedesa resulta da ponderação da modelagem da UNECA "com factores específicos em curso em Angola como a aposta política na liberalização e diversificação da economia".

Mas também conta com a aposta do país na operacionalização de algumas estruturas de transportes internacionais, como a finalização do Aeroporto Internacional de Luanda, a entrada em funcionamento do porto de águas profundas do Caio e do Corredor do Lobito.

Sobre esta última infra-estrutura, a Cedesa sublinha que é um corredor ferroviário para tráfego internacional de mercadorias, com início no Porto do Lobito (Benguela), que integra três países — Angola, República Democrática do Congo e Zâmbia, relativamente à qual há um "desejo" do Governo angolano de que "seja um dos principais eixos de circulação de matérias-primas e mercadorias nos territórios que atravessa".

A Cedesa recorda que o comércio do país com os restantes estados de África representava, em 2019, apenas 3 por cento do total do comércio externo angolano.

Agora, a Cedesa defende que com a "adesão de Angola à ZCLCA pode adicionar uma média de 0,75 por cento a 1 por cento ao ano ao crescimento do PIB".

Entre os potenciais factores de crescimento, que podem advir de uma maior integração económica global, estão a concorrência, aponta, considerando que as empresas que não adoptem novas tecnologias e nem cortem nos custos têm maior probabilidade de fracassar e serem substituídas por empresas mais dinâmicas.

Mas as empresas podem também ganhar com economias de escala - podem exportar para o mundo, enfrentam maior procura e, nas condições certas, podem operar em escalas maiores onde o preço por unidade de produto é menor.

Por outro lado, ganham em aprendizagem e inovação, considera a Cedesa.

"No geral, a evidência disponível sugere que a liberalização do comércio melhora a eficiência económica. Essa evidência provém de diferentes contextos políticos", afirma aquela entidade na análise divulgada.

Angola depositou a ratificação da adesão à Zona de Comércio Livre Continental Africana no passado dia 4 de Novembro de 2020, depois de a Assembleia Nacional ter aprovado a ratificação a 28 de Abril deste ano, e de o Presidente da República ter assinado Carta de Ratificação, a 6 de Outubro.

A entrada em vigor do acordo está agendada para o próximo dia 1 de Janeiro de 2021, após ter sido adiada de Julho deste ano devido à pandemia de covid-19.

A ZCLCA, criada pela União Africana, foi ratificada até agora por 30 países e, numa primeira fase, levará à eliminação das tarifas sobre 90 por cento dos produtos, permitindo o livre acesso a mercadorias, bens e serviços em todo o continente.

Além disso, o acordo compromete os países a liberalizarem, progressivamente, o comércio de serviços e a lidarem com uma série de outras barreiras não tarifárias, como os longos atrasos nas fronteiras nacionais que dificultam as trocas comerciais entre os países africanos.

No futuro, a livre circulação de pessoas e um mercado único de transporte aéreo africano poderão vir a surgir também dentro da área de livre comércio recém-criada.

A ZCLCA reúne 1,3 mil milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) combinado de mais de dois biliões de dólares.

Os objectivos comerciais do acordo são a criação de um mercado único, aprofundar a integração económica do continente, auxiliar a movimentação de capitais e pessoas, facilitar o investimento e avançar para o estabelecimento de uma futura união aduaneira continental.

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