Activista Rafael Marques recebido no Palácio Presidencial destaca frontalidade de João Lourenço

O activista angolano Rafael Marques elogiou “a frontalidade” do Presidente da República ao discutir com a sociedade civil temas como os direitos humanos ou a corrupção, após a reunião que manteve com o chefe de Estado.
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"Falámos obviamente de corrupção. Penso que é importante o contributo da sociedade no sentido da moralização, não só das instituições públicas, mas dos próprios cidadãos, de modo a que a corrupção deixe de ser este cancro que corrói a sociedade e que delapida os nossos recursos, que deveriam ser investidos na educação e na saúde", referiu o também jornalista, após a reunião com João Lourenço, que durou cerca de 45 minutos.

Nas declarações aos jornalistas, Rafael Marques elogiou “a frontalidade” do chefe de Estado ao discutir estas questões e a “iniciativa importante” de convidar organizações não-governamentais e da sociedade civil para discutir o futuro do país – encontro que se realizou na Terça-feira e que juntou cerca de uma dezena de instituições – uma vez que o diálogo deve “ser estimulado".

"Todos os cidadãos devem contribuir e todos nós conhecemos casos de corrupção. Nas escolas, onde estudam os nossos filhos, nos hospitais, onde vamos todos os dias, em todos os sectores", acrescentou o director do MakaAngola.

Para Rafael Marques, “é importante" que a sociedade angolana perceba que a corrupção "não é só feita pelos ministros, por altas entidades públicas".

"Há corrupção diária na nossa sociedade, a pequena corrupção em que todos estão envolvidos. Quando, por exemplo, um enfermeiro leva uma seringa para casa ou vende medicamentos, tudo isso afecta a nossa sociedade. Como vamos moralizar a sociedade deve ser a nossa maior preocupação, de modo a que saibamos assumir a responsabilidade enquanto cidadãos de fazermos melhor pelo nosso país", sustentou.

Além da corrupção e dos direitos humanos, o activista disse ter discutido com João Lourenço a lei sobre o repatriamento de capitais, o estado da economia e a moralização da vida pública.

O activista destacou ainda o "gesto nobre" de João Lourenço por tê-lo recebido esta Quarta-feira, após o incidente de Terça-feira, quando foi impedido de entrar no Palácio Presidencial juntamente com os outros representantes da sociedade civil por alegadamente não constar na lista de convidados.

"[A situação está] ultrapassada. O Presidente [João Lourenço] lamentou o incidente e foi um gesto nobre. [O incidente] está resolvido e ultrapassado" disse Rafael Marques.

Sobre o pouco mais de um ano de governação de João Lourenço, o jornalista disse que a sua esperança não é diferente da dos cidadãos em geral, apesar de se saber que a situação económica não é boa e que a população "está a sofrer".

"Temos de saber que soluções se podem encontrar de forma célere para que efectivamente todas essas mudanças, a nível de mentalidade nas instituições do Estado, possam garantir que essa agenda do Presidente seja bem-sucedida. É necessário que as pessoas tenham o que comer para que possam celebrar a democracia", sublinhou.

Questionado sobre se a situação dos Direitos Humanos em Angola melhorou durante a Presidência de João Lourenço, empossado a 26 de Setembro de 2017, Rafael Marques salientou que, em relação ao tema, o Presidente e o Governo que lidera têm dado "bastante atenção" para que haja melhorias.

"Mas é necessário, mais uma vez, que não façamos depender as políticas do Estado da vontade do Presidente. Cada um de nós deve fazer a sua parte”, defendeu.

Sobre a questão do repatriamento de capitais a partir do exterior, cujo prazo para o retorno sem qualquer punição termina a 26 deste mês, Rafael Marques admitiu a existência de dificuldades, dando como exemplo o caso de Portugal.

"Todos nós sabemos que muitos dos fundos estão fora de Angola e são poucos os que têm conhecimento sobre o destino dado a alguns desses fundos. Portugal já disse: ‘se tivermos de fazer o repatriamento isso pesaria na economia portuguesa, desequilibraria a economia portuguesa'", sublinhou.

Em relação à "Operação Resgate", destinada a repor a autoridade do Estado em todo o país, considerou-a positiva, mas manifestou reservas quanto à forma como está a ser conduzida.

"Todos nós temos reservas sobre a ‘Operação Resgate' pela forma como está a ser conduzida. Isso é líquido. É necessário que as medidas coercivas, sobretudo com as camadas mais desfavorecidas, sejam antes acompanhadas de medidas, de soluções, de alternativas, para que as pessoas que não têm outra forma de subsistência possam ser inseridas no mercado de trabalho, ou se possam criar mercados alternativos”, defendeu.

"Mas todos os cidadãos têm de colaborar, e eu vinco isso, porque o exercício da cidadania é fundamental para que a agenda do Governo seja bem-sucedida. É preciso que cada um faça a sua parte. Mas o fundamental aqui é reconhecer que o Presidente tem essa frontalidade em falar directamente e também quando as situações são erradas de tomar nota e de tentar corrigi-las", acrescentou.

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