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Autópsia de jovem morto em manifestação realiza-se esta Quinta-feira

A segunda autópsia do jovem Inocêncio de Matos, morto na sequência de uma manifestação em Luanda no dia 11 de Novembro, vai realizar-se esta Quinta-feira, tendo sido ultrapassados “os obstáculos”, anteriormente impostos, anunciou o advogado da família.

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Em declarações à agência Lusa, Zola Bambi adiantou que foi ultrapassada a divergência relativa à presença de um fotógrafo, como tinha sido requerido, mas foi inviabilizado pela Procuradoria Geral da República (PGR), levando a suspender o re-exame do corpo de Inocêncio de Matos na semana passada.

O advogado adiantou que a reclamação “face a esse posicionamento” foi deferida, sendo autorizada a autópsia de acordo com o que tinha sido requerido anteriormente, ou seja, com a presença de um fotógrafo.

“Este último despacho levantou todos os obstáculos que tinham imposto”, sublinhou, acrescentando que “para não criar vícios” no processo, foi solicitado um fotógrafo indicado pelo Laboratório Nacional de Criminalística.

O fotógrafo indicado pela família poderá também fazer imagens, antes do procedimento forense.

Inocêncio de Matos, estudante de 26 anos, morreu no dia 11 de Novembro, dia em que se celebra a independência de Angola e em que centenas de jovens saíram às ruas de Luanda para se manifestarem, em circunstâncias ainda por esclarecer.

Um relatório do hospital Américo Boavida indica que o jovem chegou ainda com vida e foi submetido a uma intervenção cirúrgica, apontando como causa da morte uma agressão na cabeça com objeto contundente, mas testemunhas relatam que Inocêncio de Matos morreu no local após ter sido atingido por uma bala disparada pela polícia, versão que é acolhida pelos familiares.

Zola Bambi, representante da família, afirmou que vai processar o Estado e a polícia, estando a efectuar diversas diligências, tendo feito um pedido de autópsia independente face às "desconfianças" quanto à versão oficial.

No Sábado passado, Alfredo de Matos, pai do estudante, apelou novamente a que seja feita justiça e posicionou-se, durante várias horas, numa vigília silenciosa frente à PGR.

Alfredo de Matos reafirmou que o estudante foi morto pela polícia, lamentando que tenha sido assassinado em circunstâncias “particularmente brutais”.

"É do nosso interesse realizar o funeral de Inocêncio o mais depressa possível (...), no entanto, não sem antes fazer a realização da autópsia", acrescentou, na altura, o pai do jovem, que disse que a família tem "estado a encontrar inúmeras dificuldades" e foi pressionada para que se fizesse a perícia médico-legal, antes de o advogado ter sido avisado.

Segundo a activista Laura Macedo, que tem acompanhado a família de Inocêncio de Matos na reivindicação de justiça, realiza-se, após a contra-autópsia, uma vigília na casa onde o estudante vivia, devendo o funeral realizar-se no dia 27 de Novembro.

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