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Funcionários dos hotéis IU e IKA sem salários há dois meses temem ficar também sem emprego

São mais de 600 os funcionários dos hotéis IU e IKA – apreendidos pela Procuradoria Geral da República (PGR) no âmbito do processo que envolve o empresário Carlos de São Vicente – que não recebem salários há cerca de dois meses, temendo também pelos seus postos de trabalho.

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Vários funcionários asseguraram, em anonimato, estarem a passar por momentos de grande dificuldade desde que a rede de hotéis viu as suas contas bloqueadas e passou a ser gerida pelo fiel depositário, o Cofre Geral da Justiça, que acusam de nada fazer para solucionar estes problemas.

No entanto, a comissão nega existir falta de interesse em resolver o problema das contas, garantindo o normal funcionamento dos hotéis, mas admite reconhecer a falta de salários. Ao Novo Jornal, uma fonte da comissão assegurou que as contas poderão ser desbloqueadas ainda este mês.

À mesma publicação, os funcionários dizem não acreditar neste desfecho, não sendo esta a primeira promessa da comissão. "Desde que isto passou para a esfera do Estado, não há nenhum pronunciamento nem nenhuma linha directiva. Já passaram dois meses sem salários e o pessoal vai sobrevivendo da forma que pode. Nenhuma resposta nos leva a acreditar que realmente alguma coisa está a ser feita, estamos a perder a esperança de ver essa situação solucionada", afirmam.

Para além da preocupação com os pagamentos mensais, os funcionários estão ainda alarmados com a actual gestão os hotéis: "Os hotéis já não servem o básico para os clientes, desde o papel higiénico ao fornecimento das refeições para os funcionários e hóspedes. Porque o nosso departamento logístico já não consegue produtos a crédito, ou seja, receber para pagar depois, fruto da situação dos bloqueios das contas".

Ainda segundo o relato dos funcionários ao Novo Jornal, a situação tem vindo a originar reclamações por parte dos hóspedes, já tendo inclusive sido criada uma tarifa que engloba apenas o alojamento. "Quem quiser comer no hotel deve mandar vir de fora a sua alimentação e isso é um grande desconforto para os hóspedes".

Falando numa dívida incalculável, há ainda relatos de prejuízos de grande gravidade nos hotéis do Moxico, Lunda-Sul, Huambo e Benguela, onde a ENDE já chegou mesmo a cortar a energia eléctrica por falta de pagamento. "Desde que as contas foram bloqueadas nunca houve pagamento para nenhuma das nossas obrigações, incluindo com o Estado. Hoje, nem água para beber há nos hotéis. Vemos clientes a implorarem por uma garrafa de água e a terem de ligar para as empresas a pedir socorro", acrescentam.

Também sob forma anónima, um responsável do cofre assegurou ao Novo Jornal não estarem previstos despedimentos. "Não vamos despedir ninguém, mas esperamos que todos cumpram com as suas obrigações laborais, enquanto na comissão de gestão tudo estamos a fazer para manter em funcionamento os hotéis e garantir os empregos", afirmou.

Recorde-se que Carlos de São Vicente, empresário detentor da cadeia de hotéis, viu os seus activos apreendidos no âmbito de um processo de investigação em que foi constituído arguido, estando sujeito a prisão preventiva por indício dos crimes de peculato, participação económica em negócio, tráfico de influência e branqueamento de capitais.

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