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Economist: Haverá limites às mudanças que João Lourenço consegue fazer”

O analista da Economist Intelligence Unit (EIU) que segue a economia de Angola considerou à Lusa que a expectativa criada pelas reformas em Angola "pode ser problemática" se as condições de vida não melhorarem.

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"O Presidente de Angola continua a atacar a corrupção e a implantar reformas económicas há muito prometidas, como a introdução de legislação para acabar com monopólios e encorajar o investimento externo e repatriar fluxos financeiros ilícitos de Portugal, mas isto aumentou as expectativas da população sobre mudança", disse Nathan Hayes.

Em entrevista à Lusa, o analista apontou que esta expectativa elevada "pode ser problemática se as políticas presidenciais não se traduzirem em benefícios tangíveis para os angolanos mais pobres".

Ainda assim, continuou, "a corrupção enraizada vai continuar a ser difícil de combater por causa dos interesses ocultos e das impregnadas práticas culturais, apesar do estabelecimento de diretivas anticorrupção com penalizações severas".

Na entrevista à Lusa, o analista alertou que "há limites" para o que o poder presidencial consegue fazer num país que esteve debaixo do mesmo Presidente durante 38 anos.

"Depois de um começo arrojado da sua Presidência, João Lourenço vai ter cuidado em atacar mais interesses ocultos, e haverá limites às mudanças que consegue fazer; o Presidente vai ter de lidar com as estruturas de poder estabelecidas ao longo dos próximos anos", acrescentou o analista.

A médio prazo, a EIU espera uma "implementação gradual" das reformas lançadas nos últimos dois anos, mas alerta que o progresso será lento.

O envolvimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI), através de um programa de financiamento no valor de 3,7 mil milhões de dólares, "vai obrigar à adopção de mais reformas estruturais duras para aumentar a sustentabilidade orçamental e encorajar o investimento estrangeiro, mas se andar demasiado depressa é provável que crie tensões dentro da elite no poder e também na sociedade, já que isto ataca os interesses instalados", concluiu.