Economist: emissão de dívida pública mostra confiança crescente na economia

A consultora Economist Intelligence Unit (EIU) considerou que a emissão de dívida pública por Angola, esta semana, mostrou "confiança crescente na economia do país", mas alertou para a necessidade de gerir cuidadosamente a dívida.
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"Apesar de as taxas de juro serem altas pelos padrões das economias desenvolvidas, há uma melhoria face a emissões anteriores, o que mostra uma crescente confiança na economia, que está atualmente sujeita a várias reformas abrangentes lideradas pelo Presidente João Lourenço", escrevem os analistas.

Na nota enviada aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, lê-se, no entanto, que "apesar de uma emissão significar dinheiro fresco para Angola, também significa nova dívida em cima de um stock já consideravelmente elevado", pelo que "uma gestão cuidadosa deste portefólio e dos futuros acordos de financiamento é crítica se Angola quer evitar níveis de dívida ainda mais onerosos ou mesmo o risco de incumprimento financeiro".

Angola realizou na Terça-feira, em Londres, uma emissão de Eurobond (títulos de dívida em moeda estrangeira) no valor de 3 mil milhões de dólares, a dez e a 30 anos, com taxas de juro de 8 por cento e 9,125 por cento, respetivamente.

Em comunicado, o Ministério das Finanças angolano (MINFIN) descreveu a operação como um "sucesso": a procura atingiu um valor máximo de 8,44 mil milhões de dólares e as taxas de juro reduziram-se 25 pontos percentuais em todas as maturidades relativamente à emissão anterior, em 2018.

A EIU lembra que "o nível de dívida pública face ao PIB já aumentou para 09,1 por cento, face aos 35 por cento registados em 2013, e o custo do serviço da dívida representa 56,8 por cento da receita prevista no Orçamento para 2020", e conclui que a previsão de mais longo prazo para Angola revela que "a dívida deverá continuar elevada até 2024".

A emissão desta semana é a terceira desde 2015, quando angariou 1,5 mil milhões de dólares com uma taxa de juro de 9,5 por cento, numa procura total de 7,5 mil milhões.

Depois, em 2018, Angola colocou 1,75 mil milhões a 10 anos, com uma taxa de 8,25 por cento, e mais 1,25 mil milhões a 30 anos, pagando juros de 9,375.

Agora, colocou 3 mil milhões, "reflectindo o forte apetite pelos títulos africanos devido às taxas de juro acima da média, e as baixas taxas norte-americanas", conclui a EIU.

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