Ministra das Finanças diz que país vai aplicar melhor os recursos

A Ministra das Finanças disse, em Luanda, que as condições actuais não permitem um menor endividamento, mas sim melhor aplicação dos recursos, o que será feito com os três mil milhões de dólares emitidos através de Eurobonds.
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O Governo emitiu, esta Terça-feira, três mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) de Eurobonds nos mercados internacionais, depois de uma reunião com vários investidores na semana passada em Nova Iorque.

Vera Daves de Sousa, que discursava na abertura da III Edição do Fórum do Mercado de Capitais, promovido pela Comissão de Mercado de Capitais e parceiros, fez referência à angariação desses valores, dizendo que a poupança é a forma de se precaver para tempos difíceis e necessidades imprevistas, "mas o Estado não está, nas actuais circunstâncias, ao contrário do que muitos clamam, em condições de precisar de menos".

"Está, isso sim, em condições de aplicar melhor os recursos de que dispõe e é o que estamos a fazer e pretendemos continuar a fazê-lo e vamos fazê-lo também com os três mil milhões de dólares captados ontem com a emissão de Eurobonds nos mercados internacionais", frisou.

Instada pela agência Lusa a comentar esta angariação de dívida, a ministra das Finanças considerou que foram "boas notícias para o país", reflectindo "o voto de confiança que os investidores estão a dar à política económica e às reformas em curso pelo executivo angolano".

"Aliás, nos roadshows que foram feitos dias antes da emissão, a generalidade dos investidores elogiou-nos pela coragem de algumas reformas. Muitos deles, que acompanham há dez anos países da África subsaariana nunca viram um programa tão corajoso".

A titular da pasta das Finanças disse que receberam vários incentivos para que trabalhem na componente social, o que já está em linha com aquilo que tem vindo a ser feito com o Banco Mundial.

"[Disseram-nos] para fazer um programa que visa amortecer o impacto social de algumas medidas e disseram que vão continuar a acompanhar-nos de perto, perguntaram muito como está a correr o programa com o Fundo Monetário Internacional e deram-nos força e coragem para seguir em frente, porque acreditam que há um preço a pagar no curto prazo", declarou a ministra.

"Estamos a pagar todos nós, cada um de alguma forma, mas sem dúvidas, a médio prazo, os benefícios vão ser sentidos por todos", referiu.

Na sua intervenção, Vera Daves de Sousa admitiu que o Estado, na sua função de garantir a paz social, a justa redistribuição de rendimentos, a providência, a segurança, a defesa, a justiça, a habitação e a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino e à saúde "tem ainda um caderno de encargos muito pesado e muito complexo".

"Mesmo assim, o OGE (Orçamento Geral do Estado) de 2020 prevê que as administrações públicas no seu conjunto, central, provincial e local, sejam capazes de gerar um saldo positivo entre os recursos de que irão dispor e aqueles que estarão autorizados a gastar", disse.

A governante frisou que esse saldo fiscal global positivo, estimado em 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), vem ao encontro do objectivo das autoridades angolanas "de criar margens sustentáveis para reduzir a dívida soberana, de forma gradual e paulatina".

"Garantir e perpetuar saldos fiscais positivos é também a forma de o Estado libertar recursos para realizar investimentos públicos indutores do investimento privado, propiciando a criação de mais e melhor emprego", salientou.

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