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Vera Daves acredita que longa recessão de Angola está a chegar ao fim

A ministra das Finanças, Vera Daves, acredita que a longa recessão que o país atravessa tem os dias contados. Mostrando-se confiante, a governante diz que a economia dependente do petróleo vai voltar a reeguer-se do duplo impacto que sofre: os preços baixos do petróleo e a pandemia de covid-19.

: Walter Fernandes
Walter Fernandes  

A titular da pasta das Finanças, em entrevista ao Financial Times, avançou que, com base na reforma económica e na subida dos preços do petróleo, a economia do país – que desde 2016 diminuiu cerca de 10 por cento – vai crescer cerca de 0,2 por cento este ano e cerca de 2,4 por cento no próximo ano.

Por essa razão, assegurou que Angola vai "começar a sair da recessão agora".

"Estaríamos confortáveis ao crescer quatro por cento ao ano, então 2,4 por cento ainda é baixo", adiantou.

A ministra disse ao Financial Times que o Governo fez várias reformas, entre as quais a venda de empresas do Estado. "Simplesmente não podíamos fazer mais porque estamos numa recessão económica agravada por uma pandemia intermediária" que afectou a economia, acrescentou.

De acordo com o mesmo jornal, Angola tem uma economia muito dependente do petróleo, com este produto a ser responsável por mais de 90 por cento das exportações. A economia angolana estava a crescer rapidamente, até 2014, altura em que se deu a queda dos preços do petróleo.

Vera Daves considera que a "principal causa de recessão tem sido a dependência do sector do petróleo", acrescentando que "tudo começou quando o preço caiu a pique".

Ao Financial Times, a ministra disse que desde então que os níveis nunca mais voltaram aos anteriores a 2014. "Além disso, nos últimos 10 anos, não fizemos grandes investimentos em termos de novas descobertas de petróleo", disse, acrescentando que "a redução da produção de petróleo" também não ajuda.

Contudo, o Governo tem tentado atrair investimento estrangeiro para o sector da energia, para se que seja possível diversificar a economia do país.

"Estamos a tentar tornar o sector mais dinâmico, através da criação de um bom ambiente de negócios para as empresas de petróleo desenvolverem campos marginais, fazerem novas descobertas e estabilizar a produção, que está em queda livre e queremos que suba um pouco", adiantou.

Também indicou que estão a tentar trabalhar "em todas as frentes". "Sabemos que vai demorar algum tempo até atingirmos os níveis de diversificação económica de que necessitamos para que a economia cresça acima dos três por cento".

Uma vez que a população do país está a crescer a cerca de três por cento ao ano é preciso mais do que isso para se reverter a recessão: "Precisamos de crescer mais do que isso (...) caso contrário, estaremos em recessão novamente", adiantou a ministra.

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