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Viagem solidária de três dias promete ajudar os mais de 33 mil habitantes da comuna do Gungo

O avançado estado de degradação da picada que liga a comuna do Gungo, no Cuanza Sul, à Estrada Nacional 100 é um dos maiores problemas que os mais de 33 mil habitantes daquela região enfrentam. Há cerca de 20 anos que a comuna recebe apoio de missionários portugueses, mas o maior desafio continua a persistir: as dificuldades de acesso transformam a chegada de ajuda e bens essenciais num verdadeiro pesadelo. O transporte só pode ser feito num carro todo-o-terreno devido ao avançado estado de degradação da picada. Para tentar contornar esse problema o projecto Volta a África, em parceria com outras instituições, como o clube Toyota Land Cruiser (TLC), decidiram realizar um passeio turístico solidário que fará chegar bens de primeira necessidade ao local.

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A iniciativa de cariz solidário surgiu "na sequência de algumas notícias sobre a comuna do Gungo que deram a conhecer a realidade" dos habitantes daquela região, começou por explicar Victor Moniz, do projecto Volta a África, em entrevista ao VerAngola.

"Um dos objectivos desta iniciativa é realmente ajudarmos a vencer o isolamento daquele povo", adiantou.

O projecto, que se vai realizar sob o lema "Vamos Abraçar esta Causa", vai durar três dias. Contando com cerca de uma centena de viaturas, os envolvidos vão levar bens de primeira necessidade até aos missionários católicos portugueses.

A viagem começa em Luanda, no dia 31 de Outubro, estimando-se que decorra até dia 2 de Novembro. De acordo com o responsável, o percurso vai ser realizado em "viaturas todo-o-terreno".

"Na viagem de preparação verificou-se que a picada tem um troço de 16 quilómetros em muito mau estado podendo pôr em causa a integridade dos veículos mesmo sendo adequados ao todo-o-terreno", explicou Victor Moniz, que fez ainda saber que "os veículos deverão sofrer preparação específica ao nível dos pneus e da suspensão" antes de embarcarem nesta jornada.

O primeiro dia será dedicado "à subida ao Gungo", explicou. "O segundo dia tem como objectivo conhecer e contactar com a realidade local e com os projectos que estão a ser preparados" e o terceiro e último dia é reservado para os visitantes regressarem a casa, completou Victor Moniz.

Na viagem vão participar um total de 100 carros com um "número limite de participantes". Contudo, o número de pessoas envolvidas no projecto é muito grande. Sem avançar números, Victor Moniz explicou que a iniciativa é composta por pessoas da administração e direcções do TLC e do projecto Volta a África, membros da Missão de S. José do Gungo e do Grupo de missionários portugueses. Além disso, o projecto conta ainda com o apoio das "instâncias governamentais da Província do Cuanza Sul e do Município do Sumbe".

"Para apoios concretos em logística e materiais há empresas e pessoas particulares que se envolveram e estão a dar o seu apoio sendo um exemplo a verificação das viaturas participantes na oficina Autopassarinho de Paulo Diogo", completou.

"Ao nível do Governo Provincial foi pedido apoio principalmente para os trabalhos a realizar na picada. Aguardamos sinceramente a concretização deste apoio para bem do evento e para bem do povo", frisou.

Quanto aos bens de primeira necessidade, Victor Moniz adiantou que já receberam alguns, mas vai ser feita uma recolha de bens. Além disso, "cada veículo participante foi convidado a dar também".

A par da entrega de bens essenciais, o responsável sublinhou que foi lançado aos participantes o desafio de colaborar monetariamente. As verbas servirão para "o sistema de abastecimento de água da missão a partir de uma nascente" e para "a aquisição de um tractor agrícola" para aquela zona.

A missão católica é liderada pelo padre David Ferreira, que desde cerca dos anos 2000 que tem ajudado a comuna. Apesar de terem à sua disposição, desde 2010, um camião para ajudar a escoar os produtos agrícolas para a cidade e desenvolver actividades ligadas à igreja, o mau estado da picada continua a tirar o sono aos missionários e aos habitantes do Gungo.

A degradação da picada deixa a comuna isolada. Localizado a mais de 110 quilómetros do município do Sumbe, o Gungo debate-se com problemas em transportar doentes para o hospital e com falta de um sistema de abastecimento de água potável.

A viagem solidária pode ser uma luz ao fundo do túnel, mas Victor Moniz admite que ainda fica muito por fazer. Para a viagem poderá vir a ser preciso recorrer a "uma máquina que tape algumas pedras". No entanto, essa será uma solução temporária: "Para futuro e bem do povo, a simples utilização de uma niveladora, cremos que não responde às necessidades de reparação do troço em piores condições", disse, acrescentando que será necessário fazer uma intervenção mais profunda, "para retirar as pedras que dificultam a melhor progressão na via".

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