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Saúde

África deve preparar-se para “segunda vaga” da pandemia

África registou na última semana mais 12 por cento de novas infecções pelo novo coronavírus e menos 15 por cento de mortes, anunciou o responsável do África CDC, que alertou que o continente deve preparar-se para "uma segunda vaga" da doença.

: Michele Spatari
Michele Spatari  

Segundo o director do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), John Nkengasong, na conferência de imprensa semanal da instituição, os 55 países que integram a organização registaram entre os dias 20 e 27 de Outubro quase 1400 mortes (1393), resultando numa redução da taxa de propagação da doença na ordem dos 15 por cento, e o número de novos contágios foi de 74.595, para um total de 1.715.130, mais 12 por cento do que na semana anterior, representando 3,9 por cento do total mundial.

"Chegou o momento de preparar uma segunda vaga", disse John Nkengasong.

"O continente tem tido muito sucesso em inverter a maré, com a maioria dos picos por volta de Julho e depois um declínio constante, mas agora estamos a começar a ver alguma estagnação", advertiu.

Nkengasong salientou que todos os países devem reforçar os sistemas de teste e vigilância e recomendar a utilização de máscaras.

"Se fizermos isto juntos, estamos de facto a preparar o continente para uma segunda vaga, que sem dúvida virá", disse.

"Vemos o que está a acontecer na Europa. Queremos ter a certeza de que preservamos o que alcançámos nos últimos 10 meses", acrescentou.

No período em análise, o continente registou ainda mais de 1,4 milhões de recuperados, ou seja, 82 por cento do total de casos de infecção reportados em África; e mais de 41 mil mortos (41.203), o que aponta para um rácio de mortalidade de 2,4 por cento.

Um conjunto de 13 países reportaram taxas de mortalidade acima do rácio mundial (2,7 por cento): a República Árabe Saraui (7,1 por cento), o Chade (6,7 por cento), o Sudão (6,1 por cento), a Libéria (5,8 por cento), o Egipto (5,8 por cento), o Níger (5,7 por cento), o Mali (3,8 por cento), a Argélia (3,4 por cento), a Gâmbia (3,3 por cento), a Serra Leoa (3,2 por cento), Maláui (3,1 por cento), Zimbabué (2,9 por cento) e Angola (2,8 por cento).

A região do norte de África registou a maior parte dos novos casos de contágio na semana em análise (55 por cento), seguida da África Austral (25 por cento), África Oriental (16 por cento), África Ocidental (3 por cento) e Central (1 por cento).

O conjunto de países com maior incidência de casos de contágio (casos de covid-19 por 100.000 habitantes) inclui a Líbia (110), Cabo Verde (107), Marrocos (57), Tunísia (49), Botsuana (26), África do Sul (21) e Namíbia (14).

Seis países são palco da ocorrência de novos casos de contágio na semana entre 20 e 27 de Outubro, comandados por Marrocos (31 por cento), África do Sul (18 por cento), Líbia (11 por cento), Tunísia (9 por cento), Quénia (7 por cento) e Etiópia (6 por cento).

O número de testes feitos no continente ascende a mais de 17 milhões e a taxa de resultados positivos encontra-se na ordem dos 10,4 por cento, no que representa um acréscimo de 6,9 por cento em relação à semana anterior.

O número de mortes em África devido à covid-19 foi nas últimas 24 horas de 360, totalizando agora 42.151, enquanto as infecções subiram para 1.748.335, mais 11.836, segundo dados oficiais. O Africa CDC registou nos 55 Estados-membros da organização 7.216 recuperados, num total de 1.430.558.