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Banca e Seguros

Fitch: empréstimos bancários em Angola caem de 27 por cento para 4 por cento este ano

A consultora Fitch Solutions considerou esta Quarta-feira que os empréstimos bancários em Angola vão crescer apenas 4 por cento, abaixo dos 27 por cento de crescimento no ano passado, devido à fraca procura e à relutância em financiar o fragilizado sector privado.

: Ampe Rogério
Ampe Rogério  

"Na Fitch Solutions, antevemos que o crescimento do crédito em Angola vá abrandar para 4 por cento, face aos 26,9 registados em 2019, devido à fraca procura e à relutância dos bancos em aprovar novos empréstimos", lê-se numa nota sobre a previsão de evolução do sector bancário em Angola.

No documento, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os analistas desta consultora detida pelos mesmos donos da agência de notação financeira Fitch Ratings escrevem que "a degradação na qualidade dos activos vai reduzir os lucros, ao passo que a forte depreciação cambial num contexto de forte exposição cambial no sector vai influenciar o capital dos bancos".

No relatório, a Fitch Solutions prevê uma aceleração do crescimento do crédito para 7 por cento em 2021, bem como uma melhoria nos lucros, mas alerta que "a fraca procura de crédito das famílias e a fraca qualidade dos activos vai continuar a colocar desafios ao sector bancário".

O crédito malparado, isto é, os empréstimos que não são pagos pelos clientes, subiu de 32,7 por cento em Janeiro para 34,5 por cento do total dos empréstimos num contexto de "quebra de rendimentos e de lucros empresariais, que pesaram na capacidade dos clientes pagarem as suas dívidas".

Isto, prevê a Fitch Solutions, vai fazer os bancos privilegiarem o sector público, mostrando relutância em emprestar ao sector privado.

A Fitch antevê uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola de 4 por cento este ano, recuperando para um crescimento de 1,7 por cento em 2021, sustentado no aumento do consumo privado e das exportações, mas ainda assim o crescimento da actividade bancária vai continuar abaixo da média de 9,2 por cento registada entre 2012 e 2019.

"O crescimento do PIB vai continuar abaixo do crescimento da população, de 3,2 por cento, o que significa que o PIB per capita continua a cair, e isto vai limitar a procura das famílias por crédito, e depois porque apesar de o crédito malparado propicie a emissão de novos empréstimos, este tipo de empréstimos vai continuar perto ou acima de 30 por cento do total, o que implica uma cautela acrescida por parte dos bancos", concluem os analistas.