Samakuva deve regressar ao parlamento e continuar na política

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, que deixa a liderança do principal partido da oposição após a eleição do seu sucessor, em Novembro, anunciou que vai continuar na política e regressar ao parlamento, admitindo candidatar-se nas autárquicas.
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"Vou fazer política ainda e o parlamento para mim é a plataforma mais adequada para fazer política", disse Isaías Samakuva, numa conferência de imprensa na sede da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

O sucessor de Samakuva deverá ser selcecionado entre os cinco candidatos que já formalizaram as suas candidaturas - Adalberto da Costa Júnior, Alcides Sakala, Kamalata Numa, José Pedro Kachiungo e Raul Danda -, um dos quais será eleito no XIII Congresso Ordinário do partido, que se realiza entre 13 e 15 de Novembro.

Depois do congresso "o maior foco são as eleições autárquicas", adiantou o presidente da UNITA, mostrando-se convencido de que o partido do Galo Negro terá bons resultados, desde que "não haja as fraudes de sempre".

Admitiu até candidatar-se a uma autarquia onde disse que o “conhecem bem”.

Questionado se poderia apresentar-se como cabeça-de-lista do partido nas eleições gerais de 2022, Isaías Samakuva disse que esse lugar "tem sido sempre" do presidente, embora não seja a primeira vez que a UNITA discute internamente a questão, que foi levada a debate nos dois congressos anteriores.

"Eu fui um dos que sempre me opus a que o cabeça de lista fosse outra pessoa", salientou Samakuva, assinalando que está novamente a surgir uma proposta a sugerir outra vez que, a partir deste congresso, a questão seja mudada, ou seja, “que o cabeça de lista poderia não ser necessariamente o presidente do partido”.

"Aprendi a dizer desta água não beberei", disse o dirigente da UNITA, sem assumir se poderia avançar como cabeça-de-lista.

A 30 dias de terminar as suas funções de presidente da UNITA, Isaías Samakuva descreveu o período como "16 anos de luta sinuosas por meandros muitas vezes traiçoeiros", mas sublinhou que sai satisfeito.

"Expusemos a natureza dos nossos adversários e provámos que a corrupção foi engendrada e institucionalizada como política de Estado para permitir à oligarquia delapidar Angola, empobrecer os angolanos e manter-se no poder", criticou.

O ainda presidente do principal partido da oposição acrescentou: “No fim disso tudo posso dizer que estou satisfeito porque o povo perdeu o medo e forçámos os arquitectos da corrupção a deixar o poder".

“Na tentativa de salvar o que deles resta, adoptaram como sua a agenda da mudança da UNITA, levantando como bandeira o combate à corrupção que fomos pregando ao longo dos anos", rematou, referindo-se aos que ficaram, o presidente do Galo Negro.

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