Investidores portugueses podem “precipitar-se” se saírem do país, diz PwC

Os investidores portugueses em Angola "poderão estar a precipitar-se seriamente se optarem pela retirada" do país, de acordo com um artigo assinado por Jaime Carvalho Esteves, sócio da PwC, numa publicação do Fórum para a Competitividade.
Chi Lee:
    Chi Lee

Segundo o artigo publicado nas Perspectivas Empresariais do Fórum para a Competitividade divulgadas, "os investidores portugueses poderão estar a precipitar-se seriamente se optarem pela retirada do mercado angolano", já que, apesar das dificuldades de uma economia "baseada no petróleo", o mercado tem "potencialidades".

"As potencialidades daquele mercado, a sua inserção numa área dinâmica de integração regional (SADC [sigla inglesa para Comunidade de Desenvolvimento da África Austral]) e, já agora, as dificuldades que se avizinham para a Europa, a par da eventual inversão do ciclo das matérias primas, aconselham antes uma estratégia de resiliência e de aprofundamento da penetração no mercado", pode ler-se no texto assinado por Jaime Carvalho Esteves.

Para o sócio da consultora PwC, "Portugal não tem o peso que julga possuir (e que gostaria e deveria ter)" na economia angolana.

"Países como Estados Unidos, China, Itália e França têm um peso muito superior, peso que poderá ser rapidamente alcançado pela Alemanha, Brasil, Espanha e Japão, para nomear apenas alguns, sem esquecer economias cuja preponderância tenderá também a crescer: Emiratos Árabes Unidos, Catar e Rússia", indica o texto publicado pelo Fórum para a Competitividade.

Apesar do menor peso, Jaime Carvalho Esteves considera que "as economias portuguesa e angolana apresentam um elevadíssimo grau de interligação", além de partilharem outras características como "uma dívida pesada" ou a participação em "zonas de integração económica".

O sócio da PwC assinala ainda uma possível alteração rápida do perfil de exportações de Angola, "já que a dificuldade na obtenção de divisas para repatriação está a motivar os agentes económicos a produzirem ou adquirirem localmente bens para exportação, como forma a converter moeda local em divisa forte".

Sobre as evoluções recentes da economia nacional, Jaime Carvalho Esteves considera que a transferência da regulação do sector petrolífero da Sonangol para a nova Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) é "um passo fundamental para a recuperação do investimento externo" no sector, podendo abrir portas à privatização da petrolífera.

"O sucesso da economia depende, no curto e médio prazos, da subida dos níveis de produção de petróleo (e gás), para o que é fundamental o sucesso do processo de licitação da exploração de novos blocos (Benguela e Namibe), cuja promoção se iniciou a 3 de Setembro", pode ler-se no texto.

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