Novo acesso ferroviário ao futuro aeroporto internacional de Luanda custa 417 milhões de dólares

O Governo angolano escolheu uma empresa chinesa para construir, por mais de 417 milhões de euros, o acesso ferroviário ao novo aeroporto internacional de Luanda, segundo um despacho presidencial a que a Lusa teve acesso.
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De acordo com o documento, assinado pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, com data de 21 de Dezembro, são autorizados contratos de empreitada para a construção e fornecimento de equipamentos para as cinco novas estações do Caminho de Ferro de Luanda (CFL), por 255 milhões de dólares (233,6 milhões de euros).

Ainda a construção do respectivo ramal ferroviário desde a actual Estação de Baía do CFL ao novo aeroporto internacional de Luanda (num total de 15 quilómetros), neste caso por 162,4 milhões de dólares.

As duas empreitadas serão contratadas à empresa China Hyway Group Limited, segundo o mesmo despacho presidencial.

A construção do aeroporto, no município de Icolo e Bengo, a 30 quilómetros do centro da cidade de Luanda, está a cargo da empresa China International Fund Limited - CIF, por 3,8 mil milhões de dólares e a obra recebeu no final de Outubro a segunda visita do Presidente angolano José Eduardo dos Santos, no espaço de sete meses.

Além de novos acessos rodoviários, o aeroporto contará com uma ligação ferroviária directa e cinco estações pelo percurso, e uma última já no interior do terminal aéreo.

Por despacho presidencial de 30 de Novembro, a que a Lusa teve acesso, foi aprovado o contrato de prestação de serviços de fiscalização da empreitada para a construção e fornecimento de equipamentos de cinco estações ferroviárias com a empresa Transfic, no valor de 1.071 milhões de kwanzas.

Nos últimos meses têm surgido relatos de atrasos nestas empreitadas paralelas, que visam facilitar o acesso e ligações intermodais ao novo aeroporto.

"A previsão aponta para a conclusão destes projectos também na mesma data, em 2017, a não ser que haja factores impeditivos, variáveis exógenas, que possam impedir que tal aconteça", apontou no final de Outubro o ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, que admitiu igualmente dificuldades provocadas pela crise financeira que o país atravessa.

O governante anunciou na mesma altura que a execução física da obra do novo aeroporto está em cerca de 55 por cento, entrando em "fase de acabamentos, de decoração dos interiores e encomenda de materiais".

A previsão atual aponta para a conclusão até Abril de 2017, devendo o aeroporto estar operacional ainda antes do final do primeiro semestre do mesmo ano.

Duas das pistas já estão praticamente concluídas, assim como a torre de controlo do aeroporto, decorrendo a construção dos terminais, que segundo o Governo angolano deverão receber 15 milhões de passageiros por ano.

A construção do novo aeroporto de Luanda arrancou em 2004 e a sua entrada em serviço está projectada até Junho de 2017, ano em que se realizam em Angola as terceiras eleições gerais em período de paz.

O projecto é financiado por fundos chineses englobados na linha de crédito aberta por Pequim para permitir a reconstrução de Angola, depois de terminado um período de três décadas de guerra civil.

O novo aeroporto internacional está implantado numa área de 1.324 hectares e terá duas pistas duplas com capacidade de aterragem do maior avião comercial do mundo, o Airbus A380.

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