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Seguro automóvel em Angola não cobre mais de 15 por cento dos veículos em circulação

Os seguros obrigatórios em Angola têm ainda uma baixa de penetração, sobretudo o de responsabilidade civil automóvel, que não cobre mais de 15 por cento dos veículos em circulação no país, informou esta Terça-feira a Associação das Seguradoras de Angola (Asan).

: Lusa
Lusa  

A informação foi avançada pelo director executivo da Asan, José Araújo, ao apresentar o tema "Seguros Obrigatórios em Angola", no fórum promovido pela Associação de Jornalistas Económicos (Ajeco) sobre a banca e os seguros.

Segundo José Araújo, não haverá mais de 15 por cento dos potenciais veículos a circular em Angola com seguro válido.

"Com seguro automóvel válido em Angola não haverá certamente mais de 350.000 veículos", segundo estimativas da Asan, com dados de 2020, apresentadas por José Araújo.

O responsável frisou a importância da intervenção das autoridades policiais, bem como o reforço do desenvolvimento de redes de agentes e canais de venda directa ou 'online'.

José Araújo salientou que as companhias seguradoras "têm feito um esforço de divulgação grande dos serviços", mas considera "um problema de consciência das pessoas da utilidade dos seguros".

"E como as pessoas, infelizmente, têm outras prioridades na sua vida, esses seguros para terem uma função económica e social muito importante temos que ter a fiscalização a ajudar-nos. Estamos todos a fazer um esforço, mas se a fiscalização não actuar é muito difícil mudar este cenário, claramente", observou.

A título de sugestão, prosseguiu José Araújo, a Asan propõe que se associe a obrigatoriedade da taxa de circulação automóvel (que aparentemente todos os condutores cumprem) à existência de seguro automóvel.

"Nesta altura, a Arseg já está a falar com a AGT [Administração Geral Tributária] para ver como é que isso é operacionalizável", referiu.

Para José Araújo, "é um falso problema falar-se da baixa renda para o seguro automóvel", tendo em conta que o seguro básico custa entre 30 mil kwanzas a 40 mil kwanzas, havendo companhias que aceitam pagamentos trimestrais.

"Não acredito que uma pessoa que tenha um carro, gasta gasolina, gasta o que tem para o carro, não tenha 30 a 40 mil kwanzas para pagar um ano de seguro (...) este tema da baixa renda é um tema para outros ramos, não para o ramo automóvel, para os preços que estão a ser praticados agora, de facto tem havido tanta concorrência que os preços já não é um tema", vincou.

Quanto ao seguro de acidentes de trabalho e doenças profissionais, considerou que tem um grande potencial de crescimento, "mas precisa de uma grande divulgação e sensibilização".

Uma estimativa recente da Asan, realizada junto dos seus associados, projectam em 345.000 o número de pessoas seguras nesta linha de negócios, apesar do peso da economia informal, número considerado "muito baixo", disse José Araújo, salientando a importância da intervenção da Inspecção-geral do Trabalho.

De acordo com o director executivo da Asan, a associação entregou à Agência Regulação e Supervisão de Seguros (Arseg) um projecto do decreto de seguro de acidentes de trabalho e doenças profissionais e está a trabalhar na actualização da Tabela Nacional de Incapacidades em vigor, que data dos anos de 1960.

"É muito importante actualizar a legislação, a curto prazo terá também que ser criado um Fundo de Acidentes de Trabalho", referiu.

"Apesar de muito mercado para desenvolver e as companhias crescerem", o director executivo da Asan considera que não há espaço para o surgimento de novas seguradoras.

"E mesmo para as que estão, ou este mercado cresce ou vamos ter dificuldades. Há várias companhias nesta altura que estão com processos na Arseg, que têm que aumentar capital, estão com problemas de insolvência, mas mesmo estas só vão sobreviver se o mercado crescer", sublinhou.

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