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Fitch desce rating de Angola para CCC indicando possível 'default'

A agência de notação financeira Fitch Ratings desceu esta Sexta-feira rating de Angola para CCC, indicando que há uma possibilidade real de Incumprimento Financeiro ('default'), devido ao significativo aumento da dívida pública e deterioração das finanças públicas.

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"A descida do rating reflecte o significativo aumento na dívida pública, a reduzida flexibilidade do financiamento externo, como é evidente na forte subida dos juros da dívida, e a decrescente liquidez externa", diz a Fitch Rating na explicação da acção de rating, que surge menos de seis meses da última revisão em baixa, em Março.

"A sustentabilidade da dívida pública piorou e as debilitadas finanças públicas vão inibir as autoridades de baixarem significativamente o nível da dívida durante os próximos dois anos", argumentam, prevendo que no final deste ano o rácio da dívida sobre o PIB suba para 129 por cento, o que representa "850 por cento das receitas do Governo, mais do dobro da média dos países com rating B, com 356 por cento, e é indicativo das dificuldades de Angola em aumentar a receita não petrolífera".

Para os analistas desta agência de rating detida pelos mesmos donos da consultora Fitch Solutions, "a combinação dos baixos preços do petróleo e os cortes na produção devido ao acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo vai baixar as receitas petrolíferas em 3 a 4 pontos percentuais do PIB face ao valor de 2019", fazendo o custo de servir a dívida subir para 48,3 por cento do total da receita, mais do triplo da média dos países a que a Fitch atribui o rating de B.

Mesmo prevendo um aumento do défice de 3,5 por cento em 2019 para 4,3 por cento este ano, a Fitch Ratings estima que o valor melhore nos próximos anos com a recuperação dos preços do petróleo e as novas medidas fiscais adoptadas pelo Governo de João Lourenço, "mas a dinâmica desfavorável da dívida vai manter o peso da dívida alto", acima dos 120 por cento até 2022.

O custo de servir a dívida pública de Angola deverá aproximar-se dos 7 mil milhões de dólares, ou 12,3 por cento do PIB, este ano, mas 2,5 mil milhões de dólares em dívida bilateral deverá ser reestruturada, no seguimento do acordo alcançado com o Clube de Paris, que servirá de exemplo para outros credores oficiais, nomeadamente a China, que detém mais de 40 por cento da dívida externa do país, acrescenta a Fitch Ratings.

Os restantes 4,4 mil milhões de dólares deverão ser pagos "através de uma combinação de empréstimos multilaterais, recurso ao fundo soberano e às reservas externas".

Assim, concluem, "o país deverá conseguir garantir as suas necessidades externas de financiamento este ano, mas a globalidade da posição externa da economia de Angola vai continuar a enfraquecer, o que aumenta o risco de um evento de incumprimento financeiro nos próximos anos".

 

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