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Sandra Mateus: “No networking não basta conhecer pessoas, é preciso ser competente”

Sandra Mateus, formadora de Oratória e Técnicas de Expressão Oral em Público, consultora independente de marketing pessoal e escritora prepara-se para apresentar a 2.ª edição do seu livro “Networking”. A autora das obras “A Função do Som no Cinema, “Manual de Oratória: Guia Prático de como Falar em Público”, “Intenso” e "Networking" é natural de Luanda. Lançou a primeira edição do livro em 2018 e recentemente esteve à conversa com o VerAngola para falar um pouco sobre este novo lançamento.

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Esta é a 2.ª edição do livro "Networking". O que a fez avançar para a apresentação de uma 2.ª edição?

Uma segunda edição de um livro é sempre uma oportunidade para analisarmos, melhorarmos e/ou partilharmos novos conceitos associados aos já apresentados na primeira edição. Avanço agora para a segunda edição do livro "Networking" precisamente por isso, pela melhoria contínua. Pelo retorno positivo que tenho recebido por parte dos leitores, pelas diferentes situações que absorvo da vida profissional e, sobretudo pela necessidade de partilhar conhecimento. Passado três anos, julgo ser necessário voltar a falar de networking com quem se interessa pelo crescimento mútuo e pela gestão de contactos profissionais.

Teve muito sucesso a 1.ª edição do livro?

Sucesso é sempre um conceito muito complexo. Não me parece ser um dado absoluto. Sucesso tem muito a ver com a realização dos objectivos pessoais e, se for nesta linhagem que surge a pergunta, sim! Tive muito sucesso. Na verdade, quando publiquei o livro "Networking" não tinha noção de que a obra pudesse esgotar em tão pouco tempo, nem pensava tão pouco na repercussão a nível internacional. Quando comecei a receber convites para falar em fóruns públicos sobre networking comecei a perceber um pouco mais sobre o conceito do sucesso que estamos aqui a falar. A publicação do livro foi pela necessidade de partilhar conhecimentos, mas o que daí se alcançou reflecte-se até hoje. Fiz diversas apresentações em Angola e Portugal sobre o livro "Networking". Várias pessoas de diferentes partes do mundo contactaram-me a dizer que o livro lhes era uma fonte de conhecimento. Portanto, sim! De uma forma muito voltada ao conceito que já partilhei sobre o sucesso, posso dizer que a primeira edição do livro teve muito sucesso. E por isso agradeço a todos os que o leram.

A 2.ª edição do livro vai ser apresentada apenas em Angola ou também ficará disponível noutros países?

Depois de ser conhecida noutros mercados, não me é mais permitido publicar e distribuir obras apenas em Angola. Embora de forma involuntária, a minha carreira tornou-se internacional e, portanto, essa segunda edição estará disponível em todo o mundo.

Quais são as suas expectativas quanto à apresentação desta 2.ª edição?

Tal como na primeira edição, espero alcançar o maior número de leitores possível. O livro "Networking" retracta muito a questão da competência no mercado de trabalho e encoraja os profissionais a encararem o exercício da criação e gestão de contactos como algo ético e necessário.

O que a levou a escrever sobre o conceito de 'networking'? É uma área que admira?

A criação e gestão de contactos profissionais está presente no nosso dia-a-dia, bem ou mal vemos todos os dias profissionais a fazerem recurso aos seus contactos para alcançarem melhores posicionamentos, mais parcerias de negócios e situações afins. Portanto vi-me a escrever sobre networking quando senti necessidade de separar o "trigo do joio". Numa altura em que precisamos uns dos outros para crescermos, há também necessidade de se clarificar que não basta conhecer pessoas, é preciso ser competente. O livro surge da necessidade de se esclarecer que este exercício, networking, tem início na preparação do próprio profissional.

O livro fala sobre o conceito networking que define a capacidade de as empresas estabelecerem uma rede de contactos, ampliando as oportunidades de sucesso profissional. Acha que as empresas angolanas precisam de praticar o networking com vista a crescerem? Acha que é isso que está a faltar?

As empresas são as pessoas. Portanto as pessoas angolanas, e de outras partes do mundo, precisam praticar de forma ética o networking. Todos precisamos compreender que uma rede de contactos profissionais não se resume a troca de favores por mera conveniência. Precisamos investir em nós enquanto profissionais activos no mercado de trabalho, precisamos fazer valer a competência profissional, precisamos valorizar o capital humano diferenciado e precisamos sobretudo compreender que networking não deve ser entendido como tráfico de influências, nepotismo ou outra figura similar. No networking não basta conhecer pessoas, é preciso ser competente.

Quanto ao futuro, tem alguns livros em preparação? O que podemos esperar da Sandra Mateus?

Enquanto escritora sou sempre movida pela necessidade de partilhar ideias. Poderão certamente esperar por futuros títulos ligados à comunicação, à gestão de contactos profissionais e às artes. As diferentes experiências que vou vivendo levam-me à necessidade de reflectir sobre as respectivas temáticas e isso quase sempre resulta em partilha com o público. Sou religiosamente seguidora do conceito que defende o ensino como uma das melhores formas de aprendizagem. Portanto, enquanto professora nas universidades a que estou associada, enquanto escritora e/ou enquanto oradora estou sempre a aprender e irei certamente partilhar para que volte a aprender com o processo de partilha.