Governo afirma que transferências monetárias para famílias são para gerar renda

A ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher disse que o apoio social monetário que 14.000 famílias vão receber até 2020, é para gerar rendimento e não viverem de “doações, de beneficência”.
Alexander Joe:
    Alexander Joe

Faustina de Almeida Alves falava à imprensa à margem do lançamento no município da Damba, situado a mais de 200 quilómetros da província do Uíge, do programa de Transferências Sociais Monetárias (TSM) denominado “Valor Criança, que vai beneficiar cerca de 20.000 crianças menores dos cinco anos, abrangendo ainda as províncias do Moxico e do Bié”.

O programa, que conta com o financiamento de nove milhões de euros da União Europeia e tem o apoio técnico do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do consórcio de empresas Louis Berger, disponibiliza às famílias o valor monetário de 3000 kwanzas por criança por mês, até ao limite de três crianças por famílias, pagos trimestralmente.

Questionada pela agência Lusa sobre se o valor entregue satisfaz as necessidades das famílias, a ministra angolana respondeu que prefere não fazer esta análise, mas sim dos benefícios que poderão trazer às pessoas.

Segundo a ministra, “para quem não tinha nada, poder dar às famílias esse mínimo e saber dotá-los [de formação financeira]” é satisfatório.

“Ter a formação profissional adequada - corte e costura, pastelaria, cabeleiro - ela [mulher] está a gerar renda. Não está a viver de doações, de beneficência, é isso que nós não queremos. [Queremos] que as pessoas trabalhem para aumentar as suas rendas e poderem continuar a sobreviver”, referiu.

“Nós elegemos três províncias no Bié, Moxico e Uíge para a nossa experiência como esta Transferência Social Monetária poderá as nossas mães receberem e poderem fazer dela um bem para o apoio às suas crianças e elas poderem tirar deste valor um pouco para a sua geração de negócio”, disse a ministra.

“Porque nós sabemos que muitas vezes com 250 kwanzas, 500 kwanzas, vão comprar um bocado de fuba, um bocado de bombó, em sítios baratos para irem vender, se ela puder tirar 2000 kwanzas já vai poder ter maior lucro, mas deste valor ela vai ter também a capacidade de nutrir a sua criança com bens alimentares que ela não produz”, disse.

Faustina Alves considerou o projecto um desafio, salientando a “grande responsabilidade” de acompanhamento das famílias.

“Estou satisfeita de saber que a educação cívica foi feita nas línguas nacionais quer no Bié quer no Moxico quer aqui, tivemos a oportunidade de inquirir algumas, em princípio a lição está bem aprendida, agora é necessário que elas apliquem e exerçam aquele dinheiro em situações que possam ser proveitosas à vida”, salientou.

Um das preocupações realçadas pela ministra tem a ver com a aplicação do dinheiro, que deve ser acompanhada pelos activistas sociais, as direcções municipais e provinciais da Acção Social e as autoridades tradicionais.

“Porque nós sabemos que alguns maridos vão fazer pressão e nós apelamos que os sobas ajudem as famílias a saírem do nível de vulnerabilidade”, disse a ministra, referindo-se aos relatos do alto nível de alcoolização dos homens.

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