Activistas propõem plano integrado e inclusivo de emprego

Jovens activistas propuseram um Plano Integrado, Inclusivo e Funcional de Emprego para o país, que contempla "emprego justo, qualificado e remunerador, formação tecnológica sólida, estágios profissionais" e a obrigatoriedade da reforma aos 40 anos de serviço.
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"Inicialmente é preciso termos em conta que em Angola se reforma pouco e por isso é que os jovens estão desempregados, ou seja, há muitos velhos ou mais velhos na função pública ou privada com 40 a 45 anos de serviço e que deveriam ir para reforma de forma a priorizar os jovens", afirmou Geraldo Gabriel Dala, em Luanda.

O activista falava no balanço da "Marcha Contra o Elevado Índice de Desemprego em Angola", realizada a 24 de Agosto em cinco províncias, com registo de supostas "agressões físicas e tortura" protagonizadas pela polícia em Luanda.

Um Plano Integrado, Inclusivo e Funcional de Emprego foi apresentado esta Quarta-feira pelos activistas, que se "opõem" às medidas constantes do Plano de Acção para Promoção da Empregabilidade (PAPE), aprovado em Abril deste ano pelo Presidente, que disponibiliza 21 mil milhões de kuanzas para promover o emprego.

"Como é que se vai promover a empregabilidade distribuindo ‘kits’ conforme o PAPE prevê para pedreiros, ladrilhadores, isto é promover empregabilidade? Sempre com as mesmas políticas?”, questionou Geraldo Gabriel Dala, acrescentando: “O manifesto eleitoral do MPLA fala do emprego justo, qualificado e remunerador está lá e não fomos nós que escrevemos esse manifesto".

A terceira "Marcha Contra o Elevado Índice de Desemprego em Angola", que decorreu nas províncias de Luanda, Malange, Bengo, Uíge e Cuanza Norte visou exigir os 500.000 postos de trabalho prometidos, a 22 de Julho de 2017, por João Lourenço, em campanha eleitoral para as eleições gerais de Agosto.

Para Geraldo Gabril Dala, "em momento algum", em 2017, o então candidato e hoje Presidente disse na campanha eleitoral que "cada jovem deveria criar a sua própria empresa".

"Acreditamos que não, por isso é que defendemos também a formação tecnológica dos jovens. O PAPE fala em aumentar o número de pavilhões, será que todos os jovens nesse momento terão de ser pedreiros, ladrilhadores e carpinteiros? É esta a política do executivo?", perguntou.

Por seu lado, Marinela Pascoal "Mamba Negra", outra activista, deu conta que o Plano Integrado, Inclusivo e Funcional de Emprego, elaborado pelos jovens ativistas, traz igualmente uma abordagem sobre estágios aos recém-licenciados ou com formação técnico-profissional por parte de empresas públicas e privadas.

"Entendemos que o Governo deve tomar essa ação, ou seja, todos os recém-licenciados ou com formação técnico-profissional devem passar por um estágio e de certa forma pegar nesses e fazer uma base de dados", afirmou.

Segundo a activista, a pretensão da distribuição de ‘kits’ deve ser precedida de um "programa de capacitação" dos respetivos utilizadores: "Pensamos que o Governo pode criar uma base de dados para facilitar essa questão do emprego sobretudo para quem procura o emprego e quem procura os serviços".

A taxa de desemprego em Angola aumentou para 29,0 por cento, no segundo trimestre de 2019, registando mais 0,2 por cento face aos 28,8 por cento verificados no período entre Março de 2018 e Fevereiro de 2019, com mais da metade de jovens afectados, segundo dados de setembro do Instituto Nacional de Estatística (INE).

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